EUA adiam entrega de armas à Europa devido ao esgotamento de estoques na guerra com Irã - FT

Para compensar o déficit em seu estoque, o Exército dos Estados Unidos já se viu obrigado a transferir armamento de outras regiões, incluindo a região do Indo-Pacífico.

Os Estados Unidos alertaram seus aliados europeus, entre eles o Reino Unido, a Polônia, a Lituânia e a Estônia, sobre possíveis atrasos prolongados na entrega de armas, uma vez que os estoques do país norte-americano estão esgotados em consequência da guerra com o Irã, informou neste sábado (2) o Financial Times, citando fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com as fontes, a escassez nos níveis de estoque dos Estados Unidos se deve ao alto volume de armas utilizadas nos últimos dois meses por Washington na agressão contra o Irã. Para compensar isso, o Exército dos Estados Unidos já se viu obrigado a transferir armamento de outras regiões, incluindo a região Indo-Pacífico.

O Pentágono declarou que está "avaliando cuidadosamente os novos pedidos de equipamentos de seus parceiros, bem como os casos de transferência de armas já existentes, para garantir que estejam de acordo com as necessidades operacionais". Fontes indicaram que os atrasos não têm como objetivo punir a Europa, mas são um reflexo das preocupações reais dos EUA com suas reservas de munições.

No entanto, Tom Wright, ex-funcionário do governo de Joe Biden e atual membro da Brookings Institution, observou que Washington coloca seus próprios interesses muito acima dos de seus parceiros europeus. "O Pentágono pode ser forçado a travar uma guerra prolongada no Oriente Médio e, além disso, está desesperado para reforçar a dissuasão na região Indo-Pacífico", explicou. "Está mais do que disposto a sacrificar a Europa para conseguir isso. A Europa precisa reconstruir sua própria base industrial de defesa a toda velocidade", afirmou Wright.

Más notícias para a Ucrânia e a Ásia

A mídia destaca que o déficit nas reservas americanas também representa más notícias para a Ucrânia, uma vez que o apoio de Washington ao regime de Kiev já era uma grande incerteza. Precisa-se que os atrasos afetarão as munições para diferentes sistemas de mísseis, entre eles o NASAM e o HIMARS, utilizados pelo Exército ucraniano no conflito com a Rússia.

Um alto funcionário ucraniano afirmou que as armas americanas destinadas a Kiev têm sofrido atrasos desde o início da guerra com o Irã. Enquanto isso, Vladimir Zelenskyy afirmou que os atrasos têm feito com que, em algumas ocasiões, os sistemas de defesa aérea Patriot fiquem sem munição e não estejam operacionais para repelir ataques, segundo o artigo.

Por outro lado, especialistas alertam que os aliados dos Estados Unidos na Ásia também devem estar preparados para possíveis atrasos, já que países como o Japão e a Coreia do Sul dependem de diversas armas americanas. "É provável que os aliados na Ásia estejam subestimando o impacto que a escassez de munições americanas terá sobre eles e por quanto tempo esse impacto durará", disse Christopher Johnstone, ex-alto funcionário do Pentágono no The Asia Group.

"O Japão já estava profundamente frustrado com os atrasos na entrega dos sistemas pelos quais havia pago, incluindo os mísseis de cruzeiro Tomahawk", revelou Johnstone. "Essa realidade levará o Japão, a Coreia do Sul e outros aliados a se concentrarem mais em opções nacionais e não americanas, inclusive em áreas onde o equipamento americano é claramente superior", concluiu.