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China adverte sobre 'decolagem' nuclear deste aliado-chave dos EUA

Pequim o acusa de acumular plutônio muito acima de suas necessidades civis e adverte que ele poderia fabricar armas atômicas em pouco tempo.
China adverte sobre 'decolagem' nuclear deste aliado-chave dos EUAGettyimages.ru / Andrew Harnik

A China elevou o tom nesta quinta-feira (30) contra o Japão, ao publicar um documento no qual alerta que Tóquio estaria em condições de produzir armas nucleares em curto prazo, e exige que este assunto seja incluído como ponto de destaque na agenda de uma conferência da ONU em Nova York sobre o Tratado de Não Proliferação, informa o South China Morning Post.

Segundo o texto do Ministério das Relações Exteriores chinês, o Japão "produziu e armazenou durante muito tempo materiais de plutônio que superam em muito as necessidades reais de seu programa civil de energia nuclear", o que lhe daria capacidade para uma "decolagem" rumo ao armamento atômico. Citando dados oficiais japoneses do final de 2024, a China afirmou que as 44,4 toneladas de plutônio separado sob gestão de Tóquio seriam suficientes para fabricar cerca de 5,5 mil ogivas.

"País derrotado na Segunda Guerra Mundial"

Pequim sustenta que o Japão domina as tecnologias e as instalações de reprocessamento necessárias para extrair plutônio adequado para uso militar e adverte que permitir que as "forças direitistas" do país avancem em direção a "armas ofensivas poderosas, ou até mesmo a posse de armas nucleares" teria "graves efeitos negativos" sobre a paz e a segurança globais.

O diretor de controle de armas da chancelaria chinesa, Sun Xiaobo, acusou ainda o Japão, "país derrotado na Segunda Guerra Mundial", de impulsionar a revisão de sua Constituição pacifista, de seus Três Princípios Não Nucleares e a expansão de suas capacidades de ataque de longo alcance.

O documento também insta a ONU a dar "alta prioridade" ao que descreve como a "tendência perigosa" do Japão em buscar capacidades nucleares e a exigir de Tóquio um calendário e um roteiro para corrigir o "grave desequilíbrio" entre a oferta e a demanda de materiais nucleares sensíveis. Pequim enquadra suas queixas na mudança da política de segurança japonesa sob o governo de Sanae Takaichi, que nesta semana reuniu pela primeira vez um painel de especialistas para revisar a Estratégia de Segurança Nacional e outros dois documentos-chave de defesa.