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Vacina russa contra câncer mostra primeiros resultados no tratamento

Os principais resultados imunológicos ainda estão por vir, já que o paciente ainda precisa receber cerca de 10 doses da vacina.
Vacina russa contra câncer mostra primeiros resultados no tratamentoGettyimages.ru / gilaxia

As análises do primeiro paciente que recebeu a vacina russa contra o melanoma cutâneo (câncer de pele) mostraram pequenas melhoras, anunciou Alexander Gintsburg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya.

"Foi extraído sangue para realizar todas as análises habituais, incluindo a medição da produção de citocinas. Observam-se, portanto, as primeiras mudanças, embora leves, na produção das citocinas necessárias", afirmou Gintsburg. As citocinas são pequenas proteínas ou peptídeos que regulam a inflamação, estimulam o crescimento e a divisão celular e ajudam o organismo a combater infecções.

No entanto, Gintsburg indicou que os principais resultados imunológicos ainda estão por vir, já que o paciente ainda precisa receber cerca de 10 doses da vacina. A próxima dose será administrada no início de maio.

O paciente de 60 anos, natural da província de Kursk, recebeu a primeira vacina oncológica personalizada de fabricação russa no final de março. O fármaco, denominado Neooncovac, é uma vacina de RNA mensageiro (ARNm) administrada no Centro Nacional de Pesquisa Médica em Radiologia.

Diante do alto risco de progressão da doença e das opções limitadas oferecidas pelos tratamentos convencionais, a vacina se apresenta como uma ferramenta-chave para o controle da patologia.

O que são as vacinas de ARNm russas?

O ARNm é um ácido ribonucleico que transfere informações genéticas do DNA para os ribossomos.

A principal vantagem deste fármaco, desenvolvido pelo centro Gamaleya e pelo Centro Nacional de Pesquisa Médica em Radiologia, é seu caráter personalizado. A partir da análise genética do tumor de cada paciente, é gerada uma vacina única que "ensina" o sistema imunológico a reconhecer as células cancerosas.

Para isso, foi desenvolvido um software com inteligência artificial que permite determinar o perfil mutacional individual e projetar um medicamento sob medida. Em seguida, a vacina de ARNm é sintetizada e encapsulada em nanoestruturas lipídicas para administração.

Os primeiros três protótipos foram apresentados em dezembro de 2025. Cada dose personalizada custa 300 mil rublos (cerca de US$ 3,7 mil) para o Estado, mas os pacientes a recebem gratuitamente.