Há exatos 45 anos, na noite do dia 30 de abril de 1981, o atentado do Riocentro, no Rio de Janeiro, expôs uma das facetas mais perigosas da ditadura militar brasileira (1964-1985).
O ataque fracassado ocorreu durante um show em comemoração ao Dia do Trabalhador, em um local que reunia cerca de 20 mil pessoas no centro de convenções da Zona Oeste da capital fluminense.
O fracasso
O plano era um atentado de bandeira falsa que previa a detonação de bombas para causar o pânico e colocar a culpa em organizações sindicais. A ação foi frustrada, expondo a farsa, quando um dos explosivos detonou dentro de um carro estacionado no Riocentro.
A explosão matou o sargento Guilherme Pereira do Rosário e feriu gravemente o capitão Wilson Dias Machado, ambos ligados aos órgãos de repressão do Exército.
O episódio desmontou a versão oficial apresentada inicialmente pelas autoridades. Com o avanço das investigações, surgiram evidências de que integrantes da chamada "linha-dura" militar estavam por trás do atentado. O objetivo seria criar um ambiente de instabilidade para justificar o endurecimento do regime e frear a redemocratização do Brasil.
"Linha-dura" temia perder privilégios
O caso ocorreu em um período de disputas internas nas Forças Armadas. Enquanto parte do regime defendia uma transição "lenta, gradual e segura" para a democracia, setores da linha-dura resistiam à perda de poder político.
Quase meio século depois, o atentado do Riocentro segue marcado pela impunidade. As investigações foram limitadas, e a Lei da Anistia acabou impedindo a responsabilização criminal dos militares envolvidos.
O episódio permanece como um dos principais símbolos da violência política do Estado durante a ditadura militar.