'A soberania brasileira não se barganha': Vieira discursa por ocasião do Dia do Diplomata

Risco de intereferência na América Latina, colapso da ordem global e avanços do BRICS; confira principais pontos abordados pelo chanceler.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (29) que o mundo atravessa um período de profunda transformação, marcado por tensões geopolíticas crescentes e incertezas quanto ao futuro da ordem internacional. Em discurso por ocasião do Dia do Diplomata, ele delineou os principais desafios globais e destacou o papel que o Brasil busca desempenhar nesse cenário.

Colapso da ordem global

Segundo o chanceler, a comunidade internacional "assiste ao colapso da ordem", em referência ao enfraquecimento das estruturas construídas após a Segunda Guerra Mundial. Ele observou que esse sistema, apesar de suas limitações, estabeleceu regras para a convivência entre os Estados, mas hoje enfrenta crescente erosão diante do avanço de práticas unilaterais.

Vieira ressaltou que esse processo vem acompanhado da valorização do uso da força em detrimento da diplomacia. "Em vez da legitimidade dos interesses, tem-se a arrogância das vontades", disparou. Para ele, a rejeição ao multilateralismo compromete a capacidade de construção de soluções coletivas.

''O Brasil não cabe no quintal de ninguém''

Ao rejeitar a noção de esferas de influência, o ministro criticou a tentativa de expansão de poder por parte de alguns países. Em tomd de alerta, lembrou que a América Latina possui histórico de ingerências externas e destacou as "consequências funestas" desse tipo de prática.

No plano doméstico, Vieira reafirmou a posição do Brasil em defesa da soberania. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém. O povo brasileiro manda em sua própria casa", declarou. Ele acrescentou que "a Constituição rechaça a subordinação externa" e estabelece a independência nacional como princípio orientador da política externa brasileira.

O chanceler também lembro iniciativas recentes do país no cenário internacional, com ênfase na atuação em fóruns multilaterais. Ele citou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, apoiada por mais de 160 países, e afirmou que, na presidência do BRICS, o Brasil apresentou "iniciativas concretas de redesenho da ordem internacional", incluindo temas como saúde global e governança da inteligência artificial.