'Jogo perigoso': os riscos de uma 'catástrofe' na estratégia de Trump para o México

Uma análise recomenda que o presidente dos Estados Unidos evite os "erros" cometidos no Irã.

A estratégia de segurança adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em suas relações com o México, tem o potencial de provocar uma grave crise política, econômica e social, alertou o analista internacional Juan David Rojas.

"Mortes da CIA no México: Trump está brincando com fogo?", foi o título dado pelo especialista a um artigo publicado na sexta-feira (24) no portal Responsible Statecraft (Diplomacia Responsável), editado pelo Instituto Quincy dos EUA.

Nesse artigo, o especialista alertou que, "para o bem de ambos os países", Trump e seus apoiadores fariam bem em "aprender com seus erros no Irã" e "evitar uma catástrofe ainda pior mais perto de casa".

O artigo citou como exemplo o recente escândalo da incursão ilegal de agentes da Agência Central de Inteligência (CIA) em uma operação antidrogas no estado mexicano de Chihuahua, que só veio à tona porque os policiais infiltrados morreram posteriormente em um acidente.

Para Rojas, esse episódio é uma evidência de que "Trump está jogando um jogo perigoso no México", já que coloca em jogo "a possibilidade inquietantemente realista" de que funcionários da inteligência norte-americana sejam vítimas dos cartéis, o que, por sua vez, resultaria em maiores pressões para que os EUA exerçam algum tipo de ação militar no país vizinho.

Cenários negativos


Nesse contexto, o analista colocou em perspectiva as declarações de vários porta-vozes republicanos, como Tom Cotton e Lindsey Graham, que "têm ficado ansiosos" com a possibilidade de militares dos EUA agirem no México. Mas eles não são os únicos.

A ex-deputada Marjorie Taylor Greene, outra voz do Partido Republicano, já declarou que atacar os cartéis mexicanos implicaria um uso "mais inteligente" das forças armadas do que uma guerra contra o Irã.

O especialista considerou que essa visão "é profundamente errada" porque, embora, em comparação com a guerra contra o Irã, bombardear o México fosse "menos relevante" para a economia global, os efeitos adversos para os americanos seriam "muito piores".

Por exemplo, explicou ele, eventuais operações militares dos EUA no México poderiam transformar em novas vítimas os turistas e cidadãos americanos que vivem ou estão de férias no país latino-americano, ou que até mesmo têm dupla nacionalidade.

Além disso, ele alertou que a violência provocaria uma "avalanche de refugiados mexicanos", que fugiriam das operações militares e dos confrontos com os narcotraficantes. Em retaliação, o México poderia fechar a fronteira ao comércio bilateral com os EUA, o que afetaria profundamente a economia.