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Violência israelense contra palestinos ecoa o Holocausto, diz ex-chefe do Mossad

Ataques contínuos na Cisjordânia representam uma "ameaça existencial" ao próprio Estado judeu, afirmou Tamir Pardo.
Violência israelense contra palestinos ecoa o Holocausto, diz ex-chefe do MossadGettyimages.ru / Uriel Sinai

A violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia "ecoa os ataques contra judeus durante o Holocausto" e representa uma "ameaça existencial" a Israel, afirmou à mídia local o ex-chefe do Mossad, Tamir Pardo, na segunda-feira (27).

Pardo conversou com o Canal 13 enquanto visitava aldeias palestinas que sofreram ataques de colonos nos últimos meses.

"Minha mãe foi uma sobrevivente do Holocausto, e o que vi me lembrou dos eventos que ocorreram contra os judeus no século passado. O que vi hoje me fez sentir vergonha de ser judeu", declarou.

Seus comentários surgem em meio a um aumento na violência dos colonos em toda a Cisjordânia, com grupos realizando incursões repetidas em comunidades palestinas, incendiando casas e veículos, vandalizando propriedades e agredindo residentes, de acordo com testemunhas e organizações de direitos humanos.

No incidente mais recente, ocorrido na semana passada, dois palestinos, incluindo um estudante de 14 anos, foram mortos após atiradores abrirem fogo perto de uma escola.

Os ataques ocorrem quase diariamente e se intensificaram durante a guerra de EUA e Israel contra o Irã, informaram grupos de direitos humanos. A Yesh Din registrou 378 incidentes nesse período, nos quais oito palestinos foram mortos e cerca de 200 ficaram feridos.

Pardo disse que os colonos por trás dos ataques e o fracasso do governo israelense em detê-los estavam criando as condições para um futuro ataque ao estilo de 7 de outubro a partir da Cisjordânia.  Segundo ele, Israel está "semeando o campo" para este resultado.

  • Os colonos israelenses vivem em comunidades construídas na Cisjordânia, um território que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias em 1967 e que os palestinos buscam como parte de um futuro Estado. Governos israelenses sucessivos apoiaram ou toleraram os assentamentos mencionando razões de segurança, políticas e religiosas.