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Israel usa violência sexual como arma para expulsar palestinos da Cisjordânia

A pesquisa, publicada na segunda-feira (20) pelo Conselho Norueguês para Refugiados revela que mais de 70% das famílias deslocadas da Cisjordânia citaram ameaças contra mulheres e crianças.
Israel usa violência sexual como arma para expulsar palestinos da CisjordâniaGettyimages.ru / Evan Lang

Colonos israelenses usam violência sexual como ferramenta para expulsar palestinos de suas casas na Cisjordânia, segundo um relatório do Consórcio de Proteção da Cisjordânia, uma aliança humanitária financiada pela União Europeia.

A pesquisa, publicada na segunda-feira (20) pelo Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), revela que mais de 70% das famílias deslocadas da Cisjordânia entrevistadas citaram ameaças contra mulheres e crianças, particularmente violência sexual, como o fator decisivo para sua fuga.

Dentro de suas próprias casas, sobreviventes descreveram assédio, agressão e intimidação por parte de israelenses, bem como nudez forçada, humilhação sexual e tratamento degradante de homens e meninos.

"A violência sexual não é um fator secundário nesta crise. É um dos mecanismos que força as pessoas a abandonar suas terras", afirmou Allegra Pacheco, diretora de projetos do Consórcio de Proteção da Cisjordânia.

"O relatório documenta como os agressores visam mulheres, homens e crianças de maneiras que fragmentam famílias e privam as comunidades da possibilidade de permanecerem em suas terras. Quando as condições coercitivas não deixam às pessoas outra opção real senão partir, isso configura deslocamento forçado, de acordo com o direito internacional", disse Pacheco.

Clima de impunidade

Segundo informado pelo The Guardian na terça-feira (21), os colonos despiram um homem de 29 anos, colocaram uma braçadeira em seus genitais e o espancaram na frente de sua comunidade e de ativistas internacionais.

Uma mulher foi submetida a uma dolorosa revista interna por dois soldados que entraram em sua casa com colonos e ordenaram que ela tirasse a roupa para uma revista corporal completa. "Eles a instruíram a abrir as pernas de uma maneira que lhe causou dor, e ela relatou comentários depreciativos e toques em suas partes íntimas", afirma o jornal.

O estudo também destaca que os incidentes ocorrem na presença de forças israelenses, que não intervém para impedi-los, reforçando um clima de impunidade. 

O Consórcio de Proteção da Cisjordânia pede a Tel Aviv que contenha essa violência e apela aos Estados para que tomem medidas concretas. "Quando violações graves são evidentes e o risco é previsível, as obrigações do direito internacional exigem que os Estados ajam", afirmou Pacheco.