Chefe da IAEA alerta que risco de desastre nuclear é o maior desde a Guerra Fria

Rafael Grossi afirmou que mundo vive "impasse precário" com mais atores armados e menos controle, destacando a importância de garantir a validade do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, nas siglas em inglês), Rafael Grossi, alertou que o risco de uma catástrofe nuclear atingiu níveis não vistos em décadas. A declaração foi feita em uma publicação no X, nesta terça-feira (28).

"O risco de um desastre nuclear aumentou para níveis não vistos desde o auge da Guerra Fria. A guerra retornou à Europa e ao Oriente Médio, e as estruturas multilaterais que sustentam a paz e a segurança estão sob imensa pressão. No atual cenário nuclear, enfrentamos um impasse precário, com mais atores, mais riscos e menos clareza", escreveu.

Grossi destacou a importância de preservar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que classificou como "o instrumento multilateral mais poderoso" disponível. "O tratado está em vigor há mais de cinco décadas e conta com a maior adesão de qualquer acordo nesse âmbito", afirmou. Segundo ele, o momento é crucial para garantir que o TNP e a AIEA permaneçam fortes.

"Ainda temos cerca de 35 anos pela frente"

O físico David Gross, ganhador do Prêmio Nobel, fez, em uma conversa com o site Live Science em 19 de abril, uma advertência ainda mais sombria, afirmando que as chances de a humanidade sobreviver por mais 50 anos são muito baixas, devido ao risco crescente de uma guerra nuclear. "Por causa do perigo de uma guerra nuclear, nos restam cerca de 35 anos",declarou.

Gross estimou uma probabilidade anual de guerra nuclear em torno de 2%, o que resulta em uma "vida útil esperada" de aproximadamente 35 anos. Para o físico, a situação se deteriorou drasticamente desde o fim da Guerra Fria, com o desaparecimento de tratados de controle de armas. Ele apontou que atualmente existem nove potências nucleares e que o mundo entrou em uma nova corrida armamentista.

O cientista também alertou que a automação e, possivelmente, a inteligência artificial poderão em breve controlar esse tipo de armamento, elevando ainda mais o perigo para a humanidade.