A vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, afirmou na sexta-feira (25), por meio da rede social X, que os habitantes das ilhas Malvinas "são ingleses que vivem em território argentino" e declarou que, "se se sentem ingleses, deveriam voltar" ao seu país.
Na mesma publicação, a autoridade acrescentou que "os 'kelpers' são ingleses que vivem em território argentino, não fazem parte da discussão", em uma definição que estabelece a posição do governo argentino sobre a disputa de soberania e que foi repercutida por meios de comunicação do Reino Unido.
As declarações ocorreram após a divulgação, na semana anterior, de relatórios em Washington indicando que os Estados Unidos podem revisar seu apoio histórico à posição britânica sobre as ilhas, o que reacendeu o debate em ambos os lados do Atlântico sobre a soberania das Malvinas.
Semana de tensão
Nesse contexto, o presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou que "as Malvinas foram, são e serão argentinas", enquanto o chanceler, Pablo Quirno, defendeu o avanço de negociações bilaterais com o Reino Unido para alcançar uma solução "pacífica e definitiva".
Na mesma linha, Victoria Villarruel sustentou que a disputa de soberania "é entre Estados" e rejeitou a participação dos habitantes do arquipélago no processo, em uma posição que contrasta com o princípio de autodeterminação defendido por Londres. "Os que não combateram não são parte", afirmou.
Por parte do governo britânico, a chanceler Yvette Cooper declarou que a posição de Londres "não mudou", reiterando que a soberania pertence ao Reino Unido e que o princípio de autodeterminação cabe aos habitantes das ilhas. Segundo ela, o compromisso com o arquipélago é "inquebrantável".
Paralelamente, o jornal The Telegraph informou que os Estados Unidos teriam pressionado o Reino Unido a não se opor à compra de caças F-16 Fighting Falcon pela Argentina em acordo com a Dinamarca, em mais um indicativo de tensões relacionadas à postura de Washington sobre as Malvinas.