'As Malvinas foram, são e sempre serão argentinas', diz Milei

Mandatário replicou uma declaração oficial que rejeita a soberania britânica sobre as ilhas e volta a defender negociações bilaterais.

O presidente da Argentina, Javier Milei, publicou nesta sexta-feira (24), uma mensagem nas redes sociais para reafirmar a posição histórica do país sobre as Ilhas Malvinas: "As Malvinas foram, são e sempre serão argentinas".

A declaração ocorre em meio à tensão internacional após revelação de que os EUA avaliam revisar seu apoio à soberania britânica sobre o arquipélago.

A publicação do mandatário incluiu uma declaração do chanceler Pablo Quirno, que afirmou no X que a Argentina "reafirma seus direitos soberanos" sobre as Malvinas, Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul, e classificou a ocupação britânica de 1833 como um "ato de força contrário ao direito internacional".

O diplomata lembrou que a Assembleia Geral da ONU reconheceu a existência de uma disputa de soberania e instou ambos os países a resolvê-la por meio de negociações bilaterais, posição que — segundo afirmou — tem sido respaldada por organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

Quirno também rejeitou o argumento britânico baseado na autodeterminação dos habitantes das ilhas e questionou a validade de um referendo realizado em 2013, ao considerar que a população atual do arquipélago é "implantada" e não pode ser parte neutra na disputa territorial. Além disso, denunciou atividades de exploração de recursos naturais sem autorização argentina na região.

Pressão de Washington

A posição argentina ocorre após ser revelado que o governo de Donald Trump avalia revisar seu apoio histórico ao Reino Unido como parte de um pacote de medidas para pressionar países da OTAN por falta de apoio na guerra com o Irã.

De Londres, um porta-voz do governo britânico afirmou que "a soberania sobre as Ilhas Falkland (como chamam as Malvinas) permanece nas mãos do Reino Unido e a autodeterminação é fundamental", enquanto a chanceler Yvette Cooper declarou que o compromisso com as ilhas é "inquebrável".

As Ilhas Malvinas, localizadas no Atlântico Sul a cerca de 500 quilômetros da costa argentina, são ocupadas e administradas pelo Reino Unido desde 1833 e reivindicadas pela Argentina desde então. A disputa, que incluiu uma guerra em 1982 e a derrota argentina, permanece em aberto no âmbito diplomático internacional e constitui um dos principais conflitos territoriais vigentes na região.