Milei barra jornalistas na Casa Rosada sob alegação de combater 'espionagem'

Fechamento da Sala de Imprensa da sede do governo argentino aconteceu no mesmo dia de encontro de Milei com fundador da empresa norte-americana de defesa e vigilância Palantir.

O presidente da Argentina, Javier Milei, proibiu, nesta quinta-feira (23), a entrada de jornalistas na Casa Rosada. A medida, de acordo com o Executivo, busca combater a suposta presença de "espiões".

O impedimento aconteceu no mesmo dia de um encontro de Milei com Peter Thiel, fundador da empresa norte-americana de software de defesa, vigilância e inteligência Palantir. Thiel defende, abertamente, que "liberdade e democracia são incompatíveis".

Acesso negado

Os profissionais de imprensa foram barrados por homens da Casa Militar e da Polícia Federal em frente à sede do governo, na região central de Buenos Aires.

"Foi decidido remover as impressões digitais dos jornalistas credenciados como medida preventiva devido à espionagem ilegal", informaram os agentes.

A justificativa oficial associa jornalistas a uma suposta campanha de inteligência contra a gestão Milei. Contudo, não foram apresentadas evidências, conforme informou o periódico local Página12.

"Após chamar repetidamente jornalistas de 'escória repugnante', Milei proibiu a entrada de todos os profissionais de imprensa", informou o veículo, que teve seus trabalhadores barrados.

Críticas da base

A deputada Marcela Pagano, aliada do movimento político de Milei, La Liberdad Avanza, criticou a medida do presidente. Pagano, que é jornalista, anunciou uma ação penal contra o chefe do Executivo, do qual ela faz parte da base no Parlamento.

"Denunciei penalmente o presidente Milei por impedir a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, em um fato inédito desde o retorno da democracia. A Casa Rosada não é propriedade privada", disse.

"A proibição do exercício da liberdade de expressão dos jornalistas é o primeiro passo para silenciar qualquer voz dissidente, situação que na Argentina experimentamos nos momentos mais sombrios de nosso país", completou.

Um outro grupo de parlamentares, incluindo nomes da oposição e da situação, apresentou um projeto de resolução na Câmara dos Deputados para garantir o acesso dos jornalistas.

"A Câmara dos Deputados da Nação resolve expressar seu mais enérgico rechaço ao fechamento da Sala de Imprensa da Casa Rosada pelas autoridades do Poder Executivo Nacional (...) Instamos o Executivo a garantir o livre exercício da atividade jornalística e acesso irrestrito à informação pelos trabalhadores da imprensa", afirma o texto.