Gleisi Hoffmann propõe proibir enviado de Trump de entrar no Brasil após falas misóginas

Parlamentar citou soberania nacional e respeito diplomático ao defender ações contra Paolo Zampolli.

A deputada Gleisi Hoffmann anunciou nesta segunda-feira (27) a apresentação de duas iniciativas contra Paolo Zampolli, enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após declarações públicas sobre mulheres brasileiras divulgadas em 19 de abril.

Segundo a parlamentar, foi protocolado um projeto de lei para declará-lo persona non grata em todo o território nacional e um projeto de resolução para declará-lo persona non grata no âmbito da Câmara dos Deputados.

Em publicação nas redes sociais, Gleisi afirmou: "Apresentei duas iniciativas contra Paolo Zampolli após suas declarações públicas ofensivas, misóginas e discriminatórias contra as mulheres brasileiras".

De acordo com a deputada, o projeto de lei prevê que o Poder Executivo adote medidas para impedir o ingresso, a permanência ou o exercício de atividade oficial de Zampolli no Brasil. Ela citou como fundamentos a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a Lei de Migração.

Já o projeto de resolução, segundo a parlamentar, tem como objetivo registrar a posição institucional da Câmara, manifestar repúdio às declarações e recomendar ao Ministério das Relações Exteriores a adoção de medidas diplomáticas.

Na mesma publicação, Gleisi declarou: "O Brasil precisa reagir com firmeza a qualquer agente estrangeiro que insulte o nosso povo. As mulheres brasileiras não serão tratadas com desprezo por aliado de Trump, representante estrangeiro ou qualquer pessoa que ache que pode humilhar o Brasil impunemente. Relação diplomática exige respeito, reciprocidade e soberania".

Ao final da mensagem, a deputada escreveu: "Paolo Zampolli, no Brasil você não é bem-vindo!"

As iniciativas foram anunciadas após entrevista concedida por Zampolli à rádio italiana RAI, na qual afirmou que "mulheres brasileiras são uma raça maldita" e "programadas para causar confusão", ao comentar a relação com sua ex-esposa brasileira, Amanda Ungaro.