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De olho na soberania, China impede Meta de adquirir gigante da IA

Pequim bloqueou a compra de startup de IA pela empresa norte-americana, controlada por Mark Zuckerberg, em meio a preocupações com transferência de tecnologia ao exterior.
De olho na soberania, China impede Meta de adquirir gigante da IAGettyimages.ru / CFOTO/Future Publishing

O governo chinês bloqueou a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta*, em decisão anunciada nesta segunda-feira (27), pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC). A medida do principal órgão de planejamento econômico do país foi detalhada em reportagem do South China Morning Post.

Em comunicado oficial, a NDRC determinou que as partes envolvidas no acordo cancelassem a transação imediatamente. Até o momento, nem a Meta nem a Manus responderam aos pedidos de comentário sobre o veto à operação solicitados pelo SCMP.

A decisão veio após o Ministério do Comércio da China anunciar, no início de janeiro, que realizaria uma revisão detalhada do acordo. O objetivo era avaliar a conformidade da venda com as regras nacionais de controle de exportações, tecnologia e investimentos externos.

Embora esteja registrada em Singapura, a Manus desenvolve seus produtos na China continental. A startup ganhou notoriedade em março de 2025, ao lançar o que descreveu como o primeiro agente de inteligência artificial geral, capaz de realizar tarefas em nome do usuário.

Autoridades em Pequim temiam que a conclusão do negócio pudesse criar um precedente para que outras empresas de IA transferissem suas operações para o exterior.

Originalmente operando em Pequim e Wuhan, a equipe da Manus transferiu suas operações para Singapura em meados de junho d e2025. Nesse processo, a empresa demitiu parte dos funcionários na China e desativou suas contas em redes sociais do país.

Nos últimos anos, empresas de tecnologia chinesas têm criado subsidiárias internacionais em um movimento conhecido como "chuhai" ("ir para o mar").

Pequim também tem buscado ampliar o controle sobre transações que envolvem tecnologia, dados e talentos do mercado doméstico.

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.