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IA chinesa avança com menor custo e alta eficiência, pressionando big techs dos EUA

Consumo reduzido de energia, arquitetura aberta e desempenho próximo aos líderes globais: China amplia adoção da inteligência artificial e desafia o modelo baseado em alto investimento do Ocidente.
IA chinesa avança com menor custo e alta eficiência, pressionando big techs dos EUAGettyimages.ru / VCG/VCG

Empresas chinesas — como DeepSeek e Alibaba — avançam no desenvolvimento de modelos de Inteligência Artificial (IA) mais baratos e eficientes, com desempenho próximo aos sistemas norte-americanos de ponta, conforme publicação da Bloomberg, desta segunda-feira (27).

O progresso, de acordo com a reportagem, é impulsionado por uma estratégia de otimização computacional e pela adoção de estratégias de melhoria dos softwares para diminuir a dependência de hardwares avançados.

Entre as técnicas utilizadas está o "mixture of experts", em que apenas partes específicas das redes neurais são ativadas para cada tarefa, reduzindo o consumo de processamento e energia, sem comprometer o desempenho final.

Dados do mercado indicam que os modelos chineses já figuram entre os mais avançados do mundo; o DeepSeek e o Qwen, da Alibaba, já aparecem no "top 12" de rankings como o LiveBench.

Além da performance, a diferença de custos é significativa. Enquanto o GPT-5.2 da OpenAI custa cerca de US$ 14 por milhão de tokens, o modelo V3.2-Exp da DeepSeek sai por aproximadamente US$ 0,42, uma economia superior a 30 vezes.

Outro diferencial importante é a adoção do modelo "open-weight", em que os parâmetros do sistema são disponibilizados para desenvolvedores, permitindo que universidades e startups adaptem as ferramentas sem custo adicional.

Essa abordagem acelerou a disseminação da tecnologia; o Qwen já ultrapassou a marca de 1 bilhão de downloads e deu origem a mais de 200 mil modelos personalizados em diversos setores.

No campo energético, a infraestrutura e os subsídios estatais reforçam a vantagem operacional. Algumas regiões concentram centenas de datacenters abastecidos por energia renovável, e o governo chinês chega a subsidiar 50% do custo elétrico para instalações que utilizam chips nacionais.

A expansão da IA na China faz parte de uma estratégia estatal que também prioriza a integração com mercados da Ásia, África e Oriente Médio. Esse modelo de baixo custo tende a pressionar os preços globais de serviços de IA e consolidar a presença de plataformas chinesas no exterior.