
EUA compram ouro de cartéis latino-americanos e vendem como 'nacional' — NYT

A Casa da Moeda dos EUA, que vende mais de US$ 1 bilhão anualmente em moedas de investimento supostamente cunhadas com "100% de ouro americano", estaria usando metal proveniente de minas ilegais e áreas controladas por carteis, segundo uma investigação do New York Times publicada nesta segunda-feira (27).

O jornal rastreou centenas de milhões de dólares em ouro importado que acabaram na cadeia de suprimentos da Casa da Moeda, em aparente violação de uma lei de 1985 que proíbe o uso de ouro estrangeiro nesses produtos.
O relatório detalha como o metal precioso extraído ilegalmente da Colômbia — em uma mina em La Mandinga, no noroeste do país, controlada pelo cartel Clã del Golfo — é lavado por meio de pequenos mineradores registrados e empresas locais, formalmente exportado como ouro legal e, posteriormente, refinado em uma planta da empresa Dillon Gage no Texas.
Lá, é misturado com ouro de outras fontes antes de ser vendido para grandes refinarias e fornecedores da Casa da Moeda dos EUA.
O ouro é "americano"
Empresas como a Asahi USA, uma das principais fornecedoras da Casa da Moeda, admitem que o ouro que refinam é "misturado" e vem de vários países.
A Casa da Moeda, por sua vez, considera há anos o ouro como "americano" se seus fornecedores também comprarem volumes equivalentes de ouro extraído nos EUA, um sistema questionado pelo Departamento do Tesouro por potencial incompatibilidade legal.
Uma auditoria do Departamento do Tesouro de 2024 concluiu que, durante duas décadas, a instituição praticamente nunca questionou seus fornecedores sobre a origem detalhada do metal.
Quando contatada pelo jornal, a Casa da Moeda inicialmente alegou que todo o seu ouro era de "origem nacional", mas posteriormente esclareceu que os Estados Unidos são sua fonte "primária" e afirmou estar trabalhando para melhorar a rastreabilidade.

