Os casos de injúria racial no Distrito Federal (DF) mais que dobraram nos últimos nove anos, saltando de 431 ocorrências em 2017 para 870 em 2025 (aumento de mais de 100%), revelaram nesta segunda-feira (27) os dados da Polícia Civil do DF (PCDF), solicitados pelo portal Metrópoles via Lei de Acesso à Informação.
Os dados indicam um crescimento consistente desde 2020, quando os registros passaram de 432 para 596 em 2021. O problema no DF atingiu seu pico em 2025, com 870 casos de injúria registrados, mas viu uma queda significativa em 2026, com 202 casos.
O levantamento destacou também alta em crimes de discriminação religiosa e preconceito contra idosos e pessoas com deficiência. Entre janeiro e março, já houve 20 casos da intolerância religiosa registrados pela PCDF.
Por que isso acontece?
Para o delegado Marco Farah, da 2ª DP o aumento dos registros não significa que a capital se tornou mais preconceituosa, mas que as pessoas estão denunciando mais.
"Esse aumento vertiginoso entre 2022 e 2023 reflete a alteração legislativa que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, aumentando a pena-base, o que pode ter encorajado mais vítimas a denunciarem, sabendo do maior rigor penal", comentou o delegado.
O aumento ocorre em meio a episódios de grande repercussão pelo Brasil, como a prisão em Salvador de uma moradora do DF, de 74 anos, no dia 21 de abril que afirmou que "em Brasília só tem branco e não tem ninguém armado desse jeito".
A situação começou após uma denúncia de ofensa racial contra um policial na região. "Meu avô também era preto, como eu posso ser racista?", afirmou a idosa.