O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, às vezes chamado de "secretário de tudo", teria se afastado de forma deliberada do conflito entre Washington e o Irã para evitar ser responsabilizado por um possível fracasso nas negociações e preservar sua posição política de olho nas eleições de 2028. A informação foi publicada pelo Financial Times no sábado (25).
Segundo o jornal, Rubio não foi designado para conduzir diretamente as conversas com o governo iraniano.
"[Marco] Rubio provavelmente já sente que o Irã é um fracasso total, e quanto menos ele for associado a isso, melhor", afirmou Stephen Walt, professor de Relações Internacionais da Universidade de Harvard.
Na sombra da sucessão
A publicação acrescenta que tanto Rubio quanto o vice-presidente J.D. Vance são vistos como possíveis sucessores de Donald Trump, e que Vance estaria liderando atualmente as negociações com as autoridades iranianas.
"E então, Deus nos livre, o que acontece se as negociações fracassarem? Bom, então J.D. Vance fracassou. Ele não cumpriu o prometido", disse um ex-assessor republicano de alto escalão. "Rubio sai ganhando", completou.
Segundo o jornal americano Politico, seu destaque como prospecto à Casa Branca estaria ligada à sua atuação em crises internacionais, à proximidade com o presidente e à habilidade de evitar desgastes políticos — embora Vance siga como o principal favorito nas pesquisas e dentro do partido.
Presença estratégica
Uma pesquisa informal recente durante a Conferência de Ação Política Conservadora indicou que, embora Vance ainda seja lidere as projeções, o apoio a Rubio saltou de 3% em 2025 para 35% neste ano. De acordo com o FT, a mudança aponta para seu posicionamento estratégico.
O episódio em que Rubio permaneceu em silêncio em um sofá dourado enquanto Trump e Vance discutiam com Vladimir Zelensky no Salão Oval, no ano passado, é um dos principais exemplos de sua proximidade resguardada.
O secretário de Estado tem viajado ao exterior com menos frequência do que seus antecessores e tem concentrado esforços em frentes consideradas mais propensas a gerar resultados positivos.
Um ponto adicional e representativo de sua importância no alto escalão é que Rubio acumula simultaneamente os cargos de secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional. Antes dele, apenas Henry Kissinger ocupou funções semelhantes ao mesmo tempo, embora Kissingir tenha exercido um controle mais centralizado da política externa americana.