Alguns dos colaboradores mais próximos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começam a considerar o secretário de Estado, Marco Rubio, como um nome viável para a eleição presidencial de 2028, segundo reportagem do Politico.
De acordo com o veículo, essa mudança de percepção está ligada à forma como Rubio lidou com crises externas, à sua proximidade com Trump e à capacidade de evitar episódios que possam gerar desgaste político para a Casa Branca. Ainda assim, o texto destaca que o vice-presidente James D. Vance segue como o favorito tanto nas pesquisas quanto dentro do Partido Republicano.
O Politico descreve esse movimento como uma reviravolta na trajetória de um político que, após a campanha presidencial de 2016, era visto por setores republicanos como excessivamente "hawkish" (favorável a uma política externa mais agressiva) e alinhado ao establishment. No entorno de Trump, no entanto, sua lealdade ao presidente e sua atuação em temas de política externa elevaram seu prestígio.
Ao comentar a trajetória de Rubio desde 2016, o assessor de Trump Alex Bruesewitz afirmou que, naquele momento, o atual secretário de Estado tinha duas opções: seguir um caminho semelhante ao de John Kasich e "desaparecer politicamente", ou se alinhar ao movimento MAGA e se tornar um de seus principais defensores.
Um alto funcionário da Casa Branca, por sua vez, descreveu Rubio como "leal, extremamente inteligente, eloquente e muito experiente", acrescentando que ele é "um vencedor".
Apesar disso, o Politico ressalta que a transição de membro do governo para candidato presidencial nem sempre é simples nos últimos anos. Pesquisas recentes mostram crescimento de Rubio nas intenções de voto, ele teria subido de 3% para 35% em um ano, enquanto Vance caiu de 61%, mas ainda lidera com 53%. Em outro levantamento da YouGov, Vance aparece com 63% e Rubio com 42%.
"Duplo papel" e maior exposição
Segundo a reportagem, parte do avanço de Rubio se deve ao seu duplo papel como secretário de Estado e chefe do Conselho de Segurança Nacional, o que o coloca no centro das decisões e aumenta seu acesso direto a Trump. O ex-porta-voz da Casa Branca Sean Spicer afirmou que essa função ampliou seu tempo de convivência com o presidente e com o movimento MAGA, o que teria sido decisivo para sua projeção.
O texto também destaca a atuação do governo na América Latina, incluindo ações contra supostas "narcolanchas", pressões sobre a Venezuela e Cuba, além da política migratória, áreas nas quais Rubio teria papel relevante.
Um alto funcionário afirmou ainda que o secretário se beneficia do acesso ao Salão Oval e disse: "Todos gostam de Rubio; ele é seguro, competente e tranquilo. Está acumulando funções dentro da administração e no cenário global e está indo muito bem". Segundo essa avaliação, o Rubio de 2016 era "mais tenso e formal", enquanto o de 2026 "parece não ter mais nada a provar".
Rivalidade com Vance?
Apesar da ascensão, há ceticismo sobre sua viabilidade como candidato. O ex-assessor Steve Cortes afirmou que doadores e líderes políticos consideram Rubio suficientemente alinhado ao MAGA para atrair eleitores, mas ainda próximo demais do republicanismo tradicional. Para ele, isso pode não funcionar em um ambiente político mais populista.
Mesmo com a ascensão de Rubio, o Politico reforça que Vance continua sendo o principal nome na disputa interna. Ainda assim, a decisão final dependerá de Trump e de como o cenário político estará após as eleições de meio de mandato de novembro.