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'Um profundo fracasso moral': chancelaria do Irã critica a retórica violenta de Trump

O presidente dos EUA repostou e endossou, em sua rede social, um artigo de um colunista do Washington Post, onde ele pede o assassinato de líderes iranianos.
'Um profundo fracasso moral': chancelaria do Irã critica a retórica violenta de TrumpGettyimages.ru / Samuel Corum

Na quinta-feira (23), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a recorrer a uma retórica mais agressiva contra o Irã nas redes sociais.

Trump compartilhou na quinta-feira (23) em sua conta no Truth Social um artigo do colunista do Washington Post, Marc Thiessen, acompanhado da frase: "Muito verdade!". 

No texto, o autor afirma sem rodeios que, "se o regime iraniano está realmente 'dividido' entre uma facção que quer um acordo e outra que não quer", então "a solução é simples" e consiste em "matar a facção que não quer".

"O presidente dos Estados Unidos compartilhou uma declaração de uma pessoa que insta abertamente a 'matar aqueles que não querem chegar a um acordo'. Os EUA, que outrora se apresentaram como o berço da democracia, da liberdade e dos valores humanos, parecem ter-se tornado agora promotores do terrorismo, do assassinato e da violência em massa", escreveu Baghaei em sua conta no X na quinta-feira (23).

 "Como se pode qualificar isso, senão como um profundo fracasso moral?", acrescentou.

O presidente dos EUA  já havia feito anteriormente ameaças alarmantes contra o Irã. No início de abril, ele impôs um ultimato a Teerã, ameaçando levar o país persa "de volta à Idade da Pedra", para depois advertir: "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar".

Em outra ocasião, ele recorreu a palavrões para se referir à situação em torno do Irã e ameaçou os "malditos loucos" do país persa com um "inferno" se não abrissem "o maldito estreito" de Ormuz.

  • Na terça-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã estabelecido em 7 de abril. Ele explicou que a decisão se deve ao fato de que o governo iraniano estaria, supostamente, "gravemente dividido", e de que mediadores do Paquistão solicitaram a Washington que suspendesse seus ataques contra a República Islâmica "até que seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada".
  • Na quinta-feira (23), Trump voltou a se pronunciar, alegando falta de unidade entre os dirigentes iranianos. "O Irã tem muita dificuldade em entender quem é seu líder! Simplesmente não sabem!", escreveu na Truth Social. 
  • Meios de comunicação dos EUA também informaram que "há uma fratura absoluta dentro do Irã entre negociadores e militares, sem que nenhum dos dois tenha acesso ao líder supremo [Mojtaba Khamenei], que não responde".
  • O Irã, por sua vez, não confirmou essas declarações. A agência Tasnim informou que, segundo fontes, Teerã "não teria solicitado uma prorrogação do cessar-fogo", indicando que o anúncio de Trump poderia significar que "ele fracassou na guerra".