
Vietnã vê Brasil como parceiro estratégico em meio à crise logística global

Exportadores e as autoridades comerciais do Vietnã defenderam a ampliação das exportações para o Brasil em um seminário realizado em Ho Chi Minh na terça-feira (21), conforme o Vietnam Investment Review.
Palestrantes relataram o mercado brasileiro como estratégico diante das instabilidades do cenário geopolítico global e das interrupções em rotas de transporte marítimo.
O Brasil, maior economia da América Latina e com mais de 200 milhões de habitantes, é visto como um mercado de grande consumo e com menor exposição direta a zonas de conflito.
O país sul-americano também é apontado como uma porta de entrada para o Mercosul. Entre os principais setores com potencial de expansão estão os de alimentos processados, pescados, têxteis e vestuário, além de componentes eletrônicos.

"Barreiras"
Os exportadores, no entanto, destacaram tarifas elevadas, medidas de defesa comercial e uma série de exigências técnicas e regulatórias no Brasil. Entre elas, a rotulagem obrigatoriamente em português e certificações específicas de órgãos como o Ministério da Agricultura, a Anvisa e o Inmetro.
A questão alfandegária também é outro destaque visto como "barreira" operacional. Empresas estrangeiras não podem realizar o desembaraço aduaneiro por conta própria; com isso, o comprador brasileiro assume os procedimentos no porto, tornando comum o uso de contratos Free On Board (FOB).
Como os importadores locais arcam com custos adicionais, impostos e armazenagem, o preço final do produto pode subir entre 60% e 100%.
Somam-se a isso os riscos logísticos ligados ao longo tempo de trânsito, variação nas tarifas portuárias e a adoção de rotas mais extensas, como a viagem pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África, em vez do Estreito de Ormuz, visando reduzir riscos geopolíticos.
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Atualmente, o Brasil é o principal parceiro econômico do Vietnã na América Latina, enquanto o país asiático figura entre os maiores parceiros brasileiros no Sudeste Asiático.
O comércio bilateral atingiu cerca de US$ 8 bilhões em 2025, com exportações vietnamitas de aproximadamente US$ 2,7 bilhões. O volume ainda é inferior ao potencial, dada a demanda anual brasileira por importações estimada entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões. Os dois países pretendem elevar o intercâmbio comercial para US$ 15 bilhões até 2030.
