O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu na segunda-feira (20) a manutenção de relações diplomáticas construtivas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e orientou outros líderes europeus sobre a postura a adotar frente ao líder americano diante do atual cenário geopolítico.
Durante evento realizado em Berlim, Merz justificou sua estratégia diplomática, afirmando que busca conservar um relacionamento pessoal razoável com Trump pelo maior tempo possível, mesmo diante de críticas recebidas no Parlamento alemão. "E procuro preservar a OTAN que temos, aquela que nos protegeu durante 75 anos, para os anos que virão", afirmou.
O líder alemão reconheceu as dificuldades dessa abordagem, mas destacou a dependência europeia em relação à aliança transatlântica. "Não podemos nos defender sozinhos", acrescentou Merz.
"[O secretário-geral da OTAN] Mark Rutte e eu provavelmente somos os únicos, neste momento, que podemos falar com ele com relativa confiança e franqueza. Outros, por qualquer motivo, podem ter mais dificuldades", declarou, em reforço de que o diálogo é mantido com consciência das diferentes responsabilidades — Trump com os Estados Unidos e ele próprio com a Alemanha e a Europa.
Merz estabelece que, embora não tenha votado em Trump, lhe cabe estabelecer boas relações com todos os presidentes norte-americanos, na qualidade de chanceler da Alemanha, a despeito de preferências políticas pessoais.
A OTAN, sob ameaça de colapso
Desde o início de sua presidência, Trump tem aumentado a pressão sobre a OTAN, seja exigindo maiores gastos com defesa ou insistindo na venda da Groenlândia aos Estados Unidos.
Recentemente, o presidente endureceu seu discurso contra a aliança transatlântica, chegando a chamá-la de "tigre de papel" por se recusar a apoiar militarmente Washington nos ataques contra o Irã. Trump declarou que a OTAN "não ajudou em nada" e lamentou que alguns aliados tenham evitado colaborar na operação, em particular ao recusarem a liberação de uso de infraestruturas estratégicas, como pistas de pouso.
As críticas se intensificaram neste mês quando a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, citou diretamente o presidente para afirmar que os aliados do bloco militar "foram postos à prova e falharam", em referência à falta de apoio na ofensiva. Em certa ocasião, Trump chegou a insinuar que os EUA poderiam abandonar a aliança.
Por sua vez, alguns políticos europeus, como Mark Rutte, tentam agora acalmar o presidente americano e saem em sua defesa, apoiando suas decisões. Contudo, segundo informam os meios de comunicação, o secretário-geral da OTAN recebeu críticas de alguns membros da aliança, que o chamaram de "lacaios" de Trump.
Quanto a Merz, ele admitiu em março que Trump não estava muito satisfeito com ele, mas afirmou que, apesar das divergências, continuará defendendo boas relações com os Estados Unidos. "Não quero abrir mão desta aliança", enfatizou.