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Rutte dá razão a Trump de que alguns países da OTAN 'foram postos à prova e falharam'

"Nem todas as nações europeias estiveram à altura desses compromissos, e entendo totalmente que ele esteja decepcionado", afirmou o chefe da OTAN.
Rutte dá razão a Trump de que alguns países da OTAN 'foram postos à prova e falharam'Dursun Aydemir/Anadolu / Gettyimages.ru

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, afirmou, nesta quarta-feira (8), que acredita que alguns países aliados europeus "foram postos à prova e falharam" no contexto da falta de envolvimento e apoio europeu na guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Rutte fez esses comentários após se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump. Em entrevista exclusiva ao jornalista Jake Tapper, da CNN, ao ser questionado se acreditava que os países da OTAN falharam com os EUA, respondeu: "Alguns deles sim, mas a grande maioria dos países europeus, e foi isso que discutimos hoje, fez o que havia prometido diante de um caso como este".

Rutte descreveu sua conversa com Trump como "muito franca" e "muito aberta" e afirmou que o mandatário "está claramente decepcionado com muitos aliados da OTAN". "Deixem-me ser absolutamente claro: ele está evidentemente decepcionado com muitos aliados da OTAN, e posso entender seu ponto", declarou.

Aliados "pouco úteis"

Rutte reforçou que "a grande maioria" dos países europeus ajudou os EUA "com bases, com logística, com sobrevoos", em cumprimento de compromissos prévios.

"A Europa, como plataforma de projeção de poder para os Estados Unidos, esteve plenamente ativa durante as últimas seis semanas", indicou.

Contudo, acrescentou que "sim, é verdade. Nem todas as nações europeias estiveram à altura desses compromissos, e entendo totalmente que ele esteja decepcionado".

Durante a mesma conversa, ele foi questionado sobre uma reportagem do The Wall Street Journal, segundo a qual o líder americano estaria considerando "punir" alguns aliados por não ajudarem durante a guerra, inclusive realocando tropas dos EUA para fora de países considerados "pouco úteis" e transferindo-as para outros mais favoráveis à ofensiva militar de Washington.

Rutte não respondeu diretamente sobre o tema e se limitou a acrescentar impressões sobre sua reunião com Trump. "Ele me disse claramente o que pensava sobre o que ocorreu nas últimas duas semanas".

Anteriormente, Donald Trump afirmou que os aliados da Aliança Atlântica "fracassaram" ao não ajudar o país na guerra contra o Irã.

"Tenho uma citação literal do presidente dos EUA sobre a OTAN e vou compartilhá-la com todos vocês: 'Foram postos à prova e fracassaram', e eu acrescentaria que é bastante triste que a OTAN tenha dado as costas ao povo americano ao longo das últimas seis semanas", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

"Não precisávamos deles"

  • Na noite de terça-feira, o presidente anunciou que concordou em suspender por duas semanas os bombardeios e ataques contra o Irã no âmbito de um acordo de cessar-fogo de duas semanas, condicionando a medida à aceitação, por parte da República Islâmica, da "abertura completa, imediata e segura" do estreito de Ormuz. No entanto, ao longo do conflito, ele manifestou reiteradamente seu descontentamento com a Aliança Atlântica.
  • No fim de março, o chefe de Estado dos EUA repreendeu seus aliados por não atenderem imediatamente ao seu apelo para o envio de meios navais ao estreito de Ormuz, classificando-os como "covardes" e afirmando que, sem Washington, a OTAN era "um tigre de papel".
  • Posteriormente, Trump afirmou: "Foi um erro tremendo quando a OTAN simplesmente não esteve lá. Simplesmente não esteve lá". "Sempre teríamos estado lá por eles, mas agora, com base em suas ações, suponho que não precisamos estar, certo?", disse o presidente, questionando o nível de compromisso dos aliados.
  • "Obviamente não precisávamos deles, porque não ajudaram em nada. Muito pelo contrário. Na verdade, se esforçaram para não fazê-lo. Nem sequer queriam fornecer essas pistas de pouso", declarou Trump anteriormente, referindo-se aos pedidos do Pentágono para que membros da OTAN permitissem o uso de seus aeroportos por aeronaves militares como parte da ofensiva contra o Irã.