'A sobrevivência do Estado Palestino e de seu povo segue ameaçada', alerta Lula na Alemanha

O Brasil está "profundamente preocupado" com os riscos da retomada da guerra no Irã e no Líbano, afirmou o presidente brasileiro ao comentar a situação no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (20) que a sobrevivência do Estado Palestino está em risco.

Ao abordar o cenário global –, durante coletiva de imprensa em Hannover, na Alemanha –, Lula destacou o aumento das tensões no Oriente Médio e em outras regiões.

"A sobrevivência do Estado palestino e de seu povo segue ameaçada", afirmou.

O presidente também mencionou preocupações com uma possível escalada de conflitos envolvendo o Irã e o Líbano. "Estamos profundamente preocupados com os riscos da retomada do conflito do Irã e de uma escalada no Líbano", disse.

Críticas à ordem internacional e à atuação da ONU

Durante a fala, Lula relacionou o cenário atual à fragilidade das instituições internacionais. Para ele, o predomínio de ações unilaterais compromete a estabilidade global. "A prevalência da força sobre o direito é a mais grave ameaça à paz e à segurança internacional", declarou.

O discurso incluiu ainda críticas à atuação de organismos multilaterais diante das crises. "Entre a ação dos que provocam guerras e a omissão dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada", sustentou.

Ao citar outros conflitos, o presidente mencionou que a situação na Ucrânia. Segundo ele, a perspectiva de solução permanece distante no cenário atual.

Lula também defendeu mudanças na estrutura de governança global. De acordo com o presidente, Brasil e Alemanha defendem há décadas a reformulação do Conselho de Segurança da ONU como forma de ampliar sua legitimidade.

Além da ONU, ele apontou dificuldades em outros fóruns internacionais. A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) realizada em Iaundé, nos Camarões, terminou sem acordo sobre a moratória de tarifas em transmissões eletrônicas.

O presidente ainda criticou a exclusão da África do Sul de atividades do G20 e afirmou que decisões desse tipo podem afetar a relevância do grupo.

Segundo Lula, o fortalecimento do multilateralismo é necessário para conter conflitos e retomar a cooperação internacional. "Somente com um multilateralismo revigorado será possível restabelecer a diplomacia e a cooperação como ferramentas para a paz e o desenvolvimento sustentável".