O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (17) que Israel deixará de bombardear o Líbano. "Os Estados Unidos o proibiram de fazer isso. Já basta!", escreveu o mandatário norte-americano na rede Truth Social.
Suas declarações ocorrem após o cessar-fogo de 10 dias anunciado na quinta-feira (16), como resultado das negociações com os líderes de ambos os países.
No entanto, elas contradizem as afirmações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não confirmou sua disposição de interromper os ataques.
"Ainda não terminamos o trabalho"
Em declarações feitas também nesta sexta-feira, Netanyahu não corroborou as palavras do presidente norte-americano. "Uma mão segura uma arma; a outra se estende em sinal de paz", afirmou o premiê israelense em uma mensagem de vídeo.
"Direi com toda sinceridade: ainda não terminamos o trabalho", prosseguiu. "Há coisas que planejamos fazer em relação à ameaça restante dos mísseis e à dos drones, que não detalharei", acrescentou.
Israel também está trabalhando para "desmantelar" o Hezbollah, disse ele, completando: "Mas isso não será alcançado amanhã. Requer um esforço sustentado, paciência e uma navegação cuidadosa no âmbito diplomático".
Por que Netanyahu não quer terminar a guerra?
A postura do primeiro-ministro israelense é um dos principais obstáculos para alcançar um acordo e respeitar o cessar-fogo, apontam especialistas e políticos.
"Depois do Irã, Israel não pode viver sem um inimigo; é necessário que desenvolva uma retórica", afirmou na segunda-feira (13) o chanceler turco, Hakan Fidan.
O conflito militar com o Líbano e outros países da região tornou-se para o governo israelense não apenas um método de política externa, mas também "um mecanismo de sobrevivência". A análise foi feita por Murad Sadygzade, presidente do Centro de Estudos do Oriente Médio de Moscou, em um artigo para a RT.
"Netanyahu quer evitar eleições antecipadas, que provavelmente perderia, e a guerra ajuda a desviar a atenção pública dos fracassos e das crises internas para o discurso da mobilização nacional. As pesquisas não mostram nenhum impulso político importante para ele, mas a guerra lhe deu algo que um cessar-fogo não teria dado. Permitiu-lhe manter uma agenda centrada na segurança, adiar a pressão da oposição e adiar o momento do ajuste de contas político direto", indica.
"E para Netanyahu e sua coalizão de direita, a guerra continua sendo politicamente necessária, porque sem ela a questão do custo de seu governo, os fracassos de sua estratégia e sua prestação de contas perante o eleitorado voltariam com força total", acrescentou Sadygzade.