O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou, nesta quinta-feira (16), as condições estabelecidas pelo Hezbollah e pelo governo do Líbano para alcançar um acordo de paz duradouro entre os países.
Em mensagem gravada, Netanyahu referiu-se à conjuntura como uma oportunidade do país hebreu para alcançar um "acordo de paz histórico com o Líbano".
O primeiro-ministro também confirmou que Donald Trump tem a intenção de convidá-lo, juntamente com o presidente libanês, Joseph Aoun, à Casa Branca para avançar nas negociações.
"Não iremos embora"
O israelense destacou que Tel Aviv concordou com um "cessar-fogo temporário de 10 dias" para tentar impulsionar as negociações.
Contudo, alertou que se opõe às condições do Hezbollah. Particularmente à retirada das tropas israelenses do território libanês.
"Permanecemos no Líbano, em uma zona de segurança reforçada (...) de 10 quilômetros de largura, muito mais forte, mais potente, mais contínua e mais sólida do que a que tínhamos antes", afirmou Netanyahu. "Aqui estamos e não iremos embora".
Paralelamente, o presidente libanês divulgou condições de seu governo para realizar conversas de paz diretas, que contradizem as declarações do mandatário israelense.
"A retirada das forças israelenses do território libanês é um passo essencial para consolidar o cessar-fogo. Para redistribuir o Exército libanês nas fronteiras internacionais, ampliar completamente a autoridade do Estado e pôr fim a qualquer manifestação armada", comunicou Aoun.
- A trégua ocorre como resultado dos esforços diplomáticos por parte da Casa Branca, que sediou, na terça-feira (14), as primeiras conversas diretas em décadas entre ambos os países, que estão tecnicamente em guerra desde o estabelecimento do Estado israelense em 1948. Também foi a reunião de mais alto nível que mantiveram desde 1993.
Ataques contra o Líbano
O Exército israelense retomou seus ataques no início de março contra o sul do Líbano no contexto de sua luta contra o Hezbollah e contra o Irã. Os bombardeios causaram milhares de mortos e feridos em diferentes zonas do país e deixou milhares de libaneses refugiados.
No final de março, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, reafirmou o objetivo de criar uma "zona de segurança" dentro do território libanês. Além disso, anunciou que seu país destruirá "todas as casas libanesas nas aldeias próximas à fronteira" e que 6 mil civis deslocados não poderão retornar ao sul do Líbano até que se garanta a segurança do norte de Israel.