Petroleira britânica enfrenta processo por mais de 500 mortes em país da África

Resíduos perigosos da exploração de petróleo na década de 1980, no norte do país, foram deixados expostos, contaminando o lençol freático, afirmaram os autores da ação.

A BP, gigante britânica do petróleo e gás, foi processada no Quênia sob alegações de que resíduos tóxicos da exploração de petróleo na década de 1980 contaminaram fontes de água e causaram mais de 500 mortes no país da África Oriental, informou a agência AP.

A ação, movida por 299 peticionários, teve o prosseguimento autorizado por uma Alta Corte queniana e foca em trabalhos de exploração realizados pela Amoco Corporation — empresa norte-americana posteriormente adquirida pela BP — perto de Kargi e Kalacha, no deserto de Chalbi, no norte do país.

Os peticionários afirmam que resíduos contendo substâncias perigosas, incluindo isótopos de rádio, arsênico, chumbo e nitratos, foram despejados em fossas sem revestimento ou deixados expostos, de acordo com documentos judiciais citados pela AP. Eles alegam que a contaminação envenenou o lençol freático, adoeceu residentes e gado, e contribuiu para mais de 500 mortes.

O processo, protocolado no Tribunal de Terras e Meio Ambiente em Isiolo, também nomeia agências estatais quenianas, acusando-as de omissão apesar das evidências de contaminação.

A BP não respondeu publicamente à decisão do tribunal e se recusou a fazer declaração à AP. A decisão não determina se as alegações são verdadeiras, mas permite que as reivindicações sejam ouvidas na íntegra. O caso deve retornar ao tribunal em maio.