O homem mais rico da África quer aliviar a crise dos combustíveis no continente

Dono da refinaria Dangote afirmou que a empresa tem capacidade para abastecer a Nigéria e a maior parte do continente, em meio às interrupções de abastecimento causadas pela guerra no Oriente Médio.

O dono da refinaria nigeriana Dangote, Aliko Dangote, afirmou na segunda-feira (6) que a empresa está aumentando as exportações de combustível e fertilizantes para os mercados africanos. O anúncio ocorre à medida que as interrupções de fornecimento ligadas às agressões de EUA e Israel contra o Irã diminuem a disponibilidade e elevam os custos de importação em todo o continente.

A refinaria, a maior da África, tem operado em sua capacidade máxima de 650 mil barris por dia, e já enviou 17 carregamentos de gasolina para países de todo o continente, contou Dangote à agência Reuters. A empresa também intensificou as exportações de ureia, já que os compradores buscam suprimentos alternativos, acrescentou Dangote.

"O que posso fazer é garantir aos nigerianos e à maior parte da África Ocidental, Central e Oriental, que temos capacidade para abastecê-los", disse o bilionário durante uma visita ao vasto complexo nos arredores de Lagos, segundo a reportagem.

Dangote afirmou que os carregamentos de fertilizantes estão sendo cada vez mais redirecionados para mercados africanos que antes não eram o foco. A unidade pode produzir até três milhões de toneladas métricas de ureia por ano, com a maioria das exportações indo normalmente para os norte-americanos e para a América do Sul, de acordo com autoridades citadas pela Reuters.

No entanto, os preços dos combustíveis na Nigéria, país rico em petróleo, atingiram recordes históricos, com a produção máxima ainda incapaz de compensar o impacto dos altos preços do petróleo bruto.

Dangote disse desejar que mais carregamentos de petróleo bruto sejam precificados em moeda local para ajudar a reduzir os custos, após a Reuters informar que a estatal petrolífera NNPC aumentou as alocações de maio para a refinaria de cinco para sete carregamentos.

A empresa também declarou que está pronta para exportar combustível para a Europa, incluindo os Países Baixos, à medida que expande seu alcance para além da África.

O impulso nas exportações ocorre no momento em que o conflito no Oriente Médio interrompe o tráfego pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico vital para o transporte marítimo.

Um relatório conjunto recente da União Africana, da Comissão Econômica da ONU para a África e do Banco Mundial alertou que o conflito corre o risco de transformar um choque comercial em uma crise de custo de vida mais ampla em toda a África, devido aos preços mais elevados de combustíveis e alimentos, ao aumento dos custos de transporte e à pressão sobre moedas já frágeis.

Nesta terça-feira (7), o Afreximbank informou que aprovou um "Programa de Resposta à Crise do Golfo" de US$ 10 bilhões (R$ 49,6 bilhões na cotação atual) para ajudar economias, bancos e empresas africanas e caribenhas a absorver o choque econômico desencadeado pela crise.