Neurocientistas explicam por que os smartphones são viciantes

Dados de 35 estudos realizados entre 2015 e 2025 analisaram os mecanismos neurais subjacentes ao uso persistente e descontrolado dos dispositivos.

Uma análise abrangente de estudos de neuroimagem publicada na revista Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry mostra que o uso excessivo de smartphones está associado a alterações na função cerebral.

Os autores da revisão coletaram dados de 35 estudos realizados entre janeiro de 2015 e abril de 2025 para analisar os mecanismos neurais subjacentes ao uso persistente e descontrolado dos dispositivos.

Pessoas com sinais evidentes de uso problemático de smartphones geralmente apresentam alterações em três sistemas cerebrais principais: processamento de recompensa; controle executivo; regulação emocional.

Estudos estruturais mostram redução do volume de massa cinzenta no córtex insular, córtex cingulado anterior e córtex orbitofrontal. Essas áreas estão associadas ao autocontrole, à avaliação de recompensas e aos estados emocionais internos.

Alterações na substância branca — as vias que conectam os lobos frontais ao sistema límbico, responsável pela emoção e motivação — também foram identificadas.

Por que os smartphones são viciantes?

Pesquisadores observam que a natureza social dos smartphones desempenha um papel significativo. Eles não apenas fornecem acesso à informação, como também oferecem um feedback social constante — mensagens, curtidas e notificações.

"Ficamos particularmente impressionados com o fato de que, apesar da natureza inerentemente social do uso de smartphones, relativamente pouca atenção tem sido dada aos mecanismos sociocognitivos", observou Robert Christian Wolff, um dos autores da revisão.

Segundo o especialista, o medo de "ficar de fora" e a sensibilidade ao isolamento social podem fazer aumentar a importância motivacional dos smartphones.