
Brasil rejeita investigação dos EUA sobre trabalho escravo e critica possíveis tarifas

O governo brasileiro rejeitou a investigação aberta pelos Estados Unidos sobre supostas falhas no combate ao trabalho escravo e alertou para possíveis impactos nas relações comerciais entre os dois países, conforme publicado pelo Estado de S.Paulo na quarta-feira (15), citando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Segundo o veículo, a resposta oficial foi enviada na quarta-feira ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O documento foi assinado pelo chanceler Mauro Vieira, e encaminhado pela Embaixada do Brasil em Washington ao embaixador Jamieson Greer, chefe do órgão.
Posição oficial
O Itamaraty afirma que as acusações não procedem e sustenta que o Brasil não adota práticas discriminatórias ou restritivas ao comércio com os Estados Unidos.
"O Brasil rejeita enfaticamente as alegações contidas no aviso de abertura da investigação e sustenta que seus atos, políticas e práticas não são, de forma alguma, injustificáveis, discriminatórios, restritivos ou onerosos ao comércio dos Estados Unidos", disse Mauro Vieira.
O governo também pediu para que não sejam adotadas medidas unilaterais ao fim do processo.
"Diante disso, o governo do Brasil solicita que o USTR se abstenha de emitir conclusões afirmativas e de impor medidas unilaterais com base nesta investigação da Seção 301", completou.
Risco de tarifas e impacto comercial
O Itamaraty avalia que eventuais tarifas seriam uma medida inadequada e com potencial de prejudicar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, mesmo no cenário de conclusão desfavorável ao país.
A investigação norte-americana tem dois focos principais: a atuação de países no combate ao trabalho escravo e a possível relação com cadeias globais de produção que utilizem mão de obra forçada.
Fiscalização e argumentos do Brasil
Na resposta enviada, o governo brasileiro apresentou dados sobre ações de fiscalização.
Em 2025, segundo o texto, foram realizadas 1.594 operações de combate ao trabalho escravo, que resultaram no resgate de 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão, além do pagamento de cerca de R$ 9 milhões em verbas rescisórias.
O Brasil também destacou que mantém uma "Lista Suja" que reúne nomes de empregadores condenados por empregar trabalho escravo, além de mecanismos de restrição de crédito rural para empresas incluídas neste cadastro.

