O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (156) uma nova rodada de sanções contra uma rede internacional de transporte de petróleo associada ao Irã, além de estruturas financeiras ligadas ao movimento Hezbollah.
As medidas foram adotadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) e atingem mais de duas dezenas de indivíduos, empresas e embarcações vinculados ao empresário Mohammad Hossein Shamkhani, apontado como operador de uma rede de comércio de petróleo.
Segundo o comunicado oficial, a ação amplia sanções anteriores aplicadas em julho de 2025 contra a mesma estrutura. As autoridades norte-americanas afirmam que a rede movimenta bilhões de dólares por meio da venda de petróleo iraniano e russo.
De acordo com o OFAC, a rede utiliza empresas de fachada registradas principalmente nos Emirados Árabes Unidos e em outros países para gerir operações logísticas, financeiras e marítimas. Essas estruturas são descritas como responsáveis por dar aparência de legalidade às atividades.
Entre as entidades citadas estão companhias de transporte marítimo, consultoria e comércio de commodities. As autoridades afirmam que essas empresas atuam no gerenciamento de embarcações, aquisição de navios e movimentação de cargas de petróleo sob sanções.
A investigação também identificou o uso de navios-tanque para transporte de petróleo bruto, derivados e gás liquefeito. Segundo o Tesouro norte-americano, algumas dessas embarcações realizaram múltiplas operações ao longo de 2025, transportando cargas provenientes do Irã e da Rússia.
Além disso, a ação inclui medidas contra empresas registradas nas Ilhas Marshall, Índia e outras jurisdições, associadas à gestão de navios utilizados nessas operações.
Outro foco das sanções envolve um esquema financeiro que, segundo as autoridades norte-americanas, conecta o comércio de petróleo iraniano à obtenção de ouro na Venezuela. O caso foi investigado em conjunto com o Homeland Security Investigations (HSI).
O OFAC designou o cidadão iraniano Seyed Naiemaei Badroddin Moosavi, descrito como financiador do Hezbollah. Segundo o comunicado, ele teria atuado na intermediação de transações envolvendo petróleo iraniano e ouro venezuelano, com posterior envio dos recursos para estruturas ligadas ao movimento e à Guarda Revolucionária Islâmica.
As autoridades afirmam que o esquema incluía transporte de ouro para Teerã e posterior envio para outros países para comercialização. O documento também menciona o uso de métodos como transferências entre navios e manipulação de sistemas de identificação para viabilizar as operações.
Como consequência, todos os bens e interesses das entidades e indivíduos sancionados sob jurisdição dos Estados Unidos passam a ser bloqueados. Também ficam proibidas transações envolvendo cidadãos norte-americanos ou operações que utilizem o sistema financeiro do país.