
África do Sul nomeia ex-ministro da era do apartheid como embaixador nos EUA

O presidente Cyril Ramaphosa nomeou Roelf Meyer — ex-ministro da era do apartheid —, como novo embaixador da África do Sul nos Estados Unidos. A decisão provocou críticas de partidos da oposição, conforme informou o portal Independent Online, nesta quarta-feira (15).
O partido Economic Freedom Fighters (EFF) classificou a escolha como um desrespeito à luta de libertação, criticando o governo por promover uma figura ligada ao antigo regime para um posto diplomático estratégico.
"Esta nomeação não é apenas politicamente insensível, mas um insulto deliberado à nossa luta democrática", afirmou o porta-voz do EFF, Sinawo Thambo.
O partido também questionou o momento da decisão, ressaltando que a nomeação coincide com as homenagens pelo aniversário do assassinato do líder anti-apartheid Chris Hani. "É profundamente ofensivo que a nomeação de Meyer ocorra no mesmo período", declarou a legenda.

O passado de Meyer é alvo de questionamentos. "Muitos não sabem que houve massacres quando ele era ministro, e não houve responsabilização", afirmou o analista político Goodenough Mashego.
Por outro lado, outro analista, Andre Duvenhage, destacou a relação histórica entre Ramaphosa e Meyer, sugerindo que a escolha pode ser reflexo de uma série de fatores políticos e diplomáticos.
Diante do cenário, o partido de oposição exigiu a retirada imediata da indicação, defendendo que o posto seja ocupado por um representante que reflita os "valores revolucionários e a identidade democrática" do país.
