O Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou as projeções para a América Latina e o Caribe diante da escalada do conflito no Oriente Médio, segundo relatório publicado pelo FMI na terça-feira (14). A revisão considera efeitos da crise energética global e da instabilidade no mercado de petróleo.
A estimativa aponta crescimento de 2,3% para a região em 2026, abaixo dos 2,4% registrados em 2025. Para 2027, a projeção indica recuperação para 2,7%. O organismo também elevou em 0,1 ponto percentual a previsão para 2026 em relação ao relatório divulgado em janeiro.
No cenário global, a previsão de crescimento caiu para 3,1% em 2026, frente aos 3,3% estimados anteriormente. A revisão reflete impactos do conflito envolvendo Irã, além da crise no fornecimento de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz.
O FMI considera que o conflito seguirá limitado em duração e alcance. Ainda assim, projeta "um leve aumento da inflação geral, que voltaria a cair em 2027". O relatório também alerta para "uma desaceleração do crescimento e no aumento da inflação", com maior intensidade em economias emergentes.
"O início da guerra no Oriente Médio obscureceu abruptamente as perspectivas globais", afirma o documento, que cita efeitos do fechamento do estreito e "os graves danos às instalações de produção" de petróleo.
O fundo destaca que "a guerra interrompeu o que havia sido uma trajetória de crescimento ininterrupto". Antes do conflito, havia expectativa de revisão positiva impulsionada por investimentos, melhora nas condições financeiras e redução de tensões comerciais. "A guerra no Oriente Médio vai neutralizar completamente essas forças subjacentes".
Projeções por país
O Brasil teve revisão positiva e deve crescer 1,9% em 2026, 0,3 ponto percentual acima da estimativa anterior. Para 2027, a previsão recua para 2%. O desempenho reflete o papel do país como exportador de energia em um cenário de alta nos preços do petróleo.
O México deve avançar 1,6% em 2026, após crescimento de 0,6% em 2025, e atingir 2,2% em 2027. A Argentina tem projeção de alta de 3,5% em 2026 e 4% no ano seguinte.
Colômbia e Chile apresentam crescimento semelhante, com 2,3% e 2,4% em 2026, respectivamente. Em 2027, os índices sobem para 2,5% e 2,6%. O Peru pode alcançar 2,8%, enquanto o Equador deve manter 2,5% nos dois anos.
O Paraguai tem previsão de expansão de 4,2% em 2026 e 3,5% em 2027. O Uruguai deve crescer 1,8% e 2,6% no mesmo período. A Bolívia é o único país com projeção negativa, com retração de 3,3% em 2026.
Para a Venezuela, o FMI estima crescimento de 4% em 2026 e 6% em 2027, em meio a mudanças no setor energético e mineral.
Banco Mundial também revisa cenário
O Banco Mundial projeta crescimento de 2,1% para a América Latina em 2026, abaixo dos 2,4% registrados em 2025. A instituição atribui a desaceleração ao ambiente externo e às tensões geopolíticas.
"As perspectivas moderadas refletem um ambiente macroeconômico desafiador, no qual os elevados custos de endividamento, a fraca demanda externa e as pressões inflacionárias decorrentes da incerteza geopolítica freiam o investimento privado e a criação de empregos", afirma o relatório.
O banco indica que, "com as políticas adequadas", a região pode ampliar o uso de recursos naturais e energia para sustentar o crescimento econômico nos próximos anos.