O Fundo Monetário Internacional elevou a projeção de crescimento do Brasil para 2026, mesmo com a revisão negativa da economia global pressionada pela guerra no Oriente Médio, segundo relatório divulgado pela instituição na terça-feira (14).
De acordo com o relatório Perspectiva Econômica Mundial, o crescimento do PIB global caiu de 3,3% para 3,1% em 2026, refletindo impactos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre energia, cadeias produtivas e confiança dos mercados.
Para o Brasil, a estimativa subiu de 1,6% para 1,9%. O FMI indica menor exposição aos efeitos negativos e possível ganho com exportações de commodities.
Pressão inflacionária
O relatório aponta ainda aumento de risco inflacionário com a escalada no Oriente Médio. O economista-chefe da instituição, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que a situação no Golfo Pérsico pode gerar impactos mais intensos do que o previsto.
No cenário-base, o petróleo ficaria em torno de US$ 82 por barril em 2026. Em um cenário adverso, os preços podem superar US$ 100 até 2027, elevando o risco de recessão.
Na hipótese mais severa, com petróleo a US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, a inflação global pode ultrapassar 6%, exigindo novos aumentos de juros.
Efeito no Brasil
O FMI atribui a melhora nas projeções ao aumento das receitas com exportações. Ainda assim, o crescimento segue moderado.
Para 2027, a previsão é de 2%, abaixo do estimado anteriormente, com impacto de custos mais altos e condições financeiras mais restritivas.
O fundo destaca reservas internacionais elevadas, menor dependência de dívida externa e câmbio flutuante como fatores de proteção.
Cenário global
Os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026. A zona do euro tem projeção de 1,1%, pressionada pelos custos de energia. A China deve avançar 4,4% e o Japão, cerca de 0,7%.
O FMI ressalta que as projeções consideram um conflito limitado. Uma escalada mais intensa pode ampliar os efeitos sobre crescimento, inflação e mercados financeiros.