Diretora da FMI faz previsão sombria sobre impacto da guerra no Oriente Médio

Kristalina Georgieva alertou que o bloqueio de Ormuz já cortou 13% do petróleo global e que impacto persistirá mesmo com fim imediato do conflito.

A guerra no Oriente Médio terá consequências econômicas "severas e generalizadas" para o mundo, elevando a inflação e desacelerando o crescimento global, advertiu a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, na segunda-feira (6) em entrevista à agência Reuters.

A economista afirmou que "todos os caminhos agora conduzem a preços mais altos e um crescimento mais lento". O FMI, que tinha projetado um crescimento global de 3,3% em 2026 e 3,2% em 2027, agora vê essas perspectivas como irrealistas.

O principal fator é o corte no fornecimento de hidrocarbonetos causado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que reduziu a oferta global de petróleo em 13%.

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Ela ressaltou que os efeitos vão além dos combustíveis, afetando também cadeias de suprimentos críticas, como as de hélio e fertilizantes.

A magnitude do dano, no entanto, depende da duração do conflito. Se ele se prolongar, as consequências serão "significativamente piores", afirmou. 

Os países mais pobres e sem reservas energéticas serão os mais afetados, alertou Georgieva, pois muitos não têm margem fiscal para amortecer o choque de preços em suas populações, elevando o risco de mal-estar social.

A diretora-geral também emitiu um alerta sobre a segurança alimentar global, destacando que, embora uma crise generalizada não esteja iminente, pode se desencadear se o fornecimento de fertilizantes – essenciais para a agricultura – for severamente afetados pelo conflito, iniciando um ciclo de escassez e inflação.