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Europa elabora plano para normalizar tráfego no Estreito de Ormuz que pode não agradar Trump - WSJ

"A missão a que nos referimos só poderá ser mobilizada depois que a calma for restabelecida e as hostilidades tiverem cessado", destacou o ministro das Relações Exteriores da França.
Europa elabora plano para normalizar tráfego no Estreito de Ormuz que pode não agradar Trump - WSJGettyimages.ru

Os países europeus buscam formar uma coalizão que garanta o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz após o fim do conflito, uma iniciativa que poderia excluir a participação dos EUA, informou nesta terça-feira (14) o The Wall Street Journal.

O plano inclui o envio de navios especializados na detecção de minas marítimas, bem como de outros navios de guerra para facilitar a livre circulação no estreito. A missão consistirá em três fases: estabelecer a logística para liberar centenas de navios retidos, realizar uma operação massiva de remoção de minas utilizando a frota europeia de mais de 150 navios dragadores de minas e mobilizar fragatas e contratorpedeiros para tarefas de escolta militar. Além disso, diplomatas europeus confirmaram que suas forças não operariam sob comando americano.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Operação sem a participação dos EUA

A iniciativa ganhou um impulso inesperado com a provável participação da Alemanha, o que poderá ser anunciado ainda nesta quinta-feira (16). Enquanto isso, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, organizarão uma reunião virtual na sexta-feira (17) para debater a segurança no estreito. Dezenas de países participarão do encontro, mas os EUA não estarão presentes.

Macron afirmou nesta terça-feira (14) que a coalizão será uma missão "multinacional pacífica" e "estritamente defensiva", diferenciada de qualquer ação militar de caráter ofensivo. Além disso, ele enfatizou que as "partes beligerantes" serão excluídas, ou seja, os Estados Unidos, Israel e o Irã.

"A missão a que nos referimos só poderá ser mobilizada depois que a calma for restabelecida e as hostilidades cessarem", destacou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.

Duras críticas de Trump

Anteriormente, o chefe de Estado norte-americano já havia lançado duras críticas contra a Europa em uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera. Em particular, ele insistiu que a região se encontra em um processo de "autodestruição" e criticou os altos preços da energia nos países europeus.

Trump também reclamou que seus aliados do Velho Continente não aceitaram ajudar Washington a manter aberto o estreito de Ormuz, embora, segundo o chefe da Casa Branca, sejam eles os que mais se beneficiam dos suprimentos que passam por essa rota marítima.

Fechado para navios inimigos

  • Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
  • O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. Contudo, vários dos países requisitados por Trump — entre eles, os aliados americanos dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
  • Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler, que reiterou não haver razão para permitir que seus inimigos transitem pelo acesso.