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Míssil Patriot dos EUA teria atingido civis em área residencial no Bahrein

Manama e Washington atribuíram inicialmente o incidente a um drone iraniano.
Míssil Patriot dos EUA teria atingido civis em área residencial no BahreinKris Christiaens / Legion-Media

Um estudo recente do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, dos Estados Unidos, concluiu que o míssil que atingiu uma área residencial no Bahrein em 9 de março, ferindo dezenas de civis, incluindo crianças, provavelmente foi disparado por uma bateria operada pelos EUA.

Os pesquisadores apontam, com nível de confiança de moderado a alto, que o interceptor partiu de uma posição a cerca de sete quilômetros a sudoeste da área atingida, na ilha de Sitra.

Manama e Washington haviam atribuído inicialmente a explosão a um drone iraniano. Mais tarde, o governo do Bahrein admitiu que um míssil Patriot esteve envolvido, afirmando que ele interceptou com sucesso um drone e que os danos não vieram de um impacto direto. Até o momento, porém, não há evidências da existência desse drone.

O estudo, baseado em imagens comerciais de satélite e vídeos verificados de fontes abertas, conseguiu geolocalizar a trajetória do míssil e relacioná-la às características de baterias Patriot dos EUA na região, diferentes das operadas pelo Bahrein.

O incidente evidencia os riscos do uso de sistemas como o Patriot no contexto da ofensiva conjunta e não provocada dos EUA e Israel contra o Irã, e suas consequências na região. A detonação do míssil contribuiu diretamente para os danos em residências e para os ferimentos de civis, enquanto naquela mesma noite ocorreram ataques iranianos de retaliação contra uma refinaria próxima, que não foram contidos.

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo diversas áreas da capital, Teerã. Os bombardeios foram posteriormente atribuídos à operação americana "Fúria Épica", coordenada com a operação israelense "Rugido do Leão".

  • Durante a operação conjunta americano-israelense, foi morto o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, assim como altos oficiais do governo iraniano. Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio, no contexto da operação denominada "Promessa Verdadeira 4".
  • Outra linha de frente do conflito foi aberta com o rompimento do cessar-fogo com Israel e o fim da contenção operacional do Hezbollah em 2 de março. As forças israelenses realizaram ondas de ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação aos cidadãos do Líbano e anunciando operações terrestres no país.
  • O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Mojtaba se dirigiu pela primeira vez à nação com uma promessa de vingança por cada morte causada na agressão contra o povo iraniano.
  • Até o momento, o número de mortos no Irã ultrapassou 1.500 pessoas, seguido de um número superior a mil mortes no Líbano. Os Estados Unidos, por sua vez, contabilizam oficialmente 13 militares americanos mortos, enquanto o Ministério da Saúde de Israel registra a morte de ao menos 18 cidadãos israelenses.
  • Em retaliação, o Irã obstruiu o Estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do petróleo vendido no mundo, proibindo a passagem de navios inimigos, o que fez disparar os preços.