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Chanceler iraniano rejeita ameaças de Trump e garante que estreito de Ormuz 'não está fechado'

"Nenhuma seguradora nem nenhum iraniano se deixarão convencer por mais ameaças", alertou Abbas Araghchi.
Chanceler iraniano rejeita ameaças de Trump e garante que estreito de Ormuz 'não está fechado'Gettyimages.ru

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (22) que o estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para transporte de petróleo e gás, "não está fechado". A declaração vem depois do ultimato do presidente dos EUA, Donald Trump, que deu 48 horas à República Islâmica para liberar o tráfego pelo canal, sob ameaça de "atacar e destruir" suas usinas de energia caso não o faça.

Em mensagem publicada na rede social X, Araghchi explicou que o transporte marítimo tem sido interrompido pelo receio de uma guerra que, ressaltou, "vocês iniciaram, não o Irã".

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

"Nenhuma seguradora nem nenhum iraniano se deixarão convencer por mais ameaças", acrescentou o chanceler, que pediu a substituição da intimidação pelo respeito, lembrando que "não há liberdade de navegação sem liberdade de comércio".

"Respeitem ambas ou não esperem nenhuma delas", advertiu Araghchi, que no início da semana já havia afirmado que o estreito segue aberto, mas apenas fechado para navios de países inimigos.

Fechado para o "inimigo"


A Guardas Revolucionária do Irã (CGRI) também reagiram às ameaças de Trump. Do Quartel-General Central de Khatam al Anbiya, esclareceram que a rota marítima está "fechada apenas para o inimigo e para trânsito prejudicial", mas alertaram que, se as ameaças do presidente americano se concretizarem, Ormuz seria totalmente bloqueado.

Após a ação conjunta dos EUA e Israel, o Irã bloqueou quase totalmente o estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, proibindo a passagem de qualquer embarcação e garantindo que "nenhuma uma gota de petróleo" sairá da região por via marítima, o que fez os preços dos combustíveis dispararem.

Nesse contexto, Trump propôs criar uma coalizão naval para escoltar os navios pelo estreito. No entanto, vários países — entre eles China, Austrália, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Espanha — descartaram enviar embarcações.

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu o direito de desenvolver um programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

  • Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.

  • Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.