O Irã lançou dois mísseis balísticos de médio alcance contra o atol de Diego Garcia, uma base militar conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido no meio do Oceano Índico, informou o The Wall Street Journal neste sábado (21) citando várias autoridades americanas.
Nenhum dos projéteis conseguiu atingir a base. Um dos mísseis falhou durante o voo, enquanto que contra o segundo foi lançado um míssil antiaéreo SM-3 disparado de um navio de guerra americano, indicaram duas fontes. Segundo uma delas, não foi possível determinar se o míssil foi interceptado.
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"O alcance dos mísseis iranianos supera o que o inimigo havia imaginado"
A mídia informou que essa ação marcou o primeiro uso operacional de mísseis balísticos de médio alcance por parte do Irã e o primeiro ataque iraniano contra um alvo norte-americano fora do Oriente Médio.
O arquipélago de Chagos, ao qual pertence o atol que abriga a base, está situado a cerca de 4 mil km do Irã. Anteriormente, as autoridades da República Islâmica haviam indicado que o alcance máximo de seus mísseis era de 2 mil km, mas este lançamento demonstrou que seu alcance é muito superior.
"Atacar a ilha militar de Diego Garcia, a mais de 4 mil quilômetros do Irã, representa um passo significativo da República Islâmica do Irã para ameaçar os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados além das fronteiras da Ásia Ocidental, e demonstra que o alcance dos mísseis iranianos supera em muito o que o inimigo havia imaginado", publicou a agência iraniana Mehr.
Por que isso é importante para os EUA?
O arquipélago de Chagos tem grande importância estratégica no sudeste asiático. Os EUA utilizam a base de Diego Garcia para seus navios e bombardeiros de longo alcance.
Para Washington, Diego Garcia representa um centro seguro, politicamente estável e estrategicamente localizado para projetar poder e sustentar operações em uma região muito ampla. Sua pista de pouso pode receber aeronaves de longo alcance e realizar reabastecimento em voo, o que permite missões americanas de ataque, vigilância e transporte para o Oriente Médio, África Oriental e Ásia Meridional.
Guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".
Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.
Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.
Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.
As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.
Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.