O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, concedeu nesta sexta-feira (20) uma isenção de sanções, válida por 30 dias, que permite a compra de petróleo iraniano em alto mar, com o objetivo de aliviar as pressões sobre o abastecimento energético no contexto do conflito no Oriente Médio.
De acordo com a licença geral publicada no site do Departamento do Tesouro norte-americano, a autorização permite a venda de petróleo bruto iraniano e produtos derivados, armazenados em navios em alto mar, entre 20 de março e 19 de abril deste ano.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou que essa medida permitirá liberar volumes de petróleo bruto para o mercado internacional. "Ao desbloquear temporariamente esse suprimento para o mundo, os Estados Unidos injetarão rapidamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo nos mercados mundiais", afirmou em um comunicado no X.
"Em essência, utilizaremos os barris iranianos contra Teerã, para manter o preço baixo enquanto continuamos com a Operação Fúria Épica", descreveu Bessent. Ele explicou ainda que a autorização é temporária e de curto prazo, e se limita estritamente ao petróleo que já está em trânsito, não sendo permitidas outras compras nem produção.
É a terceira vez em cerca de duas semanas que Washington suspende temporariamente as sanções no setor energético.
Guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".
Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.
Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.
Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.
As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.
Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.