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Trump avalia tomar ilha de Kharg para pressionar Irã a reabrir Estreito de Ormuz

Plano prevê ocupação ou bloqueio da ilha responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã.
Trump avalia tomar ilha de Kharg para pressionar Irã a reabrir Estreito de OrmuzGettyimages.ru / Gallo Images

O governo dos EUA avalia a possibilidade de ocupar ou impor bloqueio à ilha iraniana de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz. A informação foi publicada pelo portal Axios nesta sexta-feira (20).

A medida pode acontecer em meio ao impacto do bloqueio no fluxo global de petróleo e à alta dos preços de energia, embora ainda não haja decisão final da Casa Branca e do Pentágono, de acordo com a reportagem.

Localizada a cerca de 24 km da costa, a ilha de Kharg responde por 90% das exportações de petróleo do Irã.

Fontes ouvidas pelo Axios afirmaram que um plano em discussão prevê intensificar ataques por cerca de um mês para enfraquecer as capacidades iranianas antes de uma possível operação terrestre.

Um funcionário de alto escalão do governo dos EUA disse ao portal que o presidente Donald Trump quer garantir a reabertura do estreito e não descarta ações mais amplas, incluindo uma invasão costeira.

Segundo o Axios, unidades de fuzileiros navais estão a caminho da região, e o envio de reforços adicionais está em análise. Outra opção considerada é a imposição de um bloqueio naval para impedir o acesso de petroleiros à ilha.

Na contramão, o contra-almirante reformado Mark Montgomery afirmou ao portal que a operação pode expor tropas a riscos desnecessários e não garantir resultados, sugerindo que escoltas navais a petroleiros seriam uma alternativa mais provável.

« ENTENDA A IMPORTÂNCIA DA ILHA DE KHARG PARA O IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".

  • Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.

  • Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khameneifoi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.

  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.

  • Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.

  • Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.

  • O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.

  • As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.

  • Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.