
Trump afirma que EUA 'não precisam' do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (20) que Washington não depende do Estreito de Ormuz para o abastecimento de petróleo e outros combustíveis fósseis, destacando que o impacto do bloqueio recai principalmente sobre outras nações. Pelo Estreito de Ormuz passa entre 20% e 25% do petróleo comercializado no mundo.
"Bem, em geral, […] nós não usamos o estreito. Nós, os EUA, não precisamos dele. A Europa precisa. Coreia [do Sul], Japão, China, muitos outros, [sim]", declarou o presidente norte-americano durante conversa com a imprensa.

Trump indicou que países afetados pelo fechamento da rota marítima estratégica devem assumir um papel mais ativo diante da situação, ao afirmar que "terão que se envolver um pouco nesse assunto".
O mandatário também sugeriu que a situação pode evoluir sem intervenção direta dos Estados Unidos e mencionou a possibilidade de apoio externo.
"Outros poderiam nos ajudar. Mas, vocês sabem, não o usamos. Vocês sabem, em algum momento ele se abrirá sozinho. Derrotamos o inimigo e eles são um inimigo. São um grupo de pessoas doentes", disse.
No mesmo contexto, Trump comentou a capacidade atual do Irã em manter o estreito fechado, relacionando-a a ações militares recentes conduzidas por Washington em conjunto com Tel Aviv.
Segundo ele, "do ponto de vista militar", o Irã teria capacidade limitada a bloquear a passagem marítima.
"Ah, acho que vencemos. Derrotamos sua Marinha, sua Força Aérea. Destruímos sua defesa antiaérea. Destruímos tudo. Estamos livres. Do ponto de vista militar, a única coisa que fazem é bloquear o estreito. Mas, do ponto de vista militar, estão acabados", declarou.
Guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".
Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.
Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.
Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.
As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.
Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.
