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Aliado-chave dos EUA autoriza uso de suas bases para ataques no estreito de Ormuz

Um porta-voz de Downing Street declarou que as bases agora podem ser utilizadas para "operações defensivas dos Estados Unidos" na importante via marítima.
Aliado-chave dos EUA autoriza uso de suas bases para ataques no estreito de OrmuzPA Images / Legion-Media

O Reino Unido autorizou os Estados Unidos a utilizarem suas bases militares "para a autodefesa coletiva", incluindo operações destinadas a degradar instalações iranianas no Estreito de Ormuz, informou, nesta sexta-feira (20), o governo britânico, segundo o The Guardian.

Contudo, um porta-voz de Downing Street destacou que Londres continuará sem participar diretamente da agressão de Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica, afirmando que os princípios que orientam a abordagem do país europeu em relação ao conflito "permanecem os mesmos".

Além disso, detalhou que os ministros concordaram que as bases agora podem ser utilizadas com o objetivo de atingir "capacidades usadas para atacar embarcações" na rota marítima por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, e "ressaltaram a necessidade de uma desescalada urgente e de uma rápida resolução da guerra".

"Eles concordaram que os ataques imprudentes do Irã, incluindo os direcionados a navios de bandeira irlandesa e de aliados próximos e parceiros do golfo Pérsico, correm o risco de empurrar ainda mais a região para uma crise e agravar o impacto econômico sentido no Reino Unido e em todo o mundo", concluiu.

Anteriormente, Londres havia permitido que seu aliado utilizasse a base aérea RAF Fairford, em Gloucestershire, e instalações em Diego Garcia, uma pequena ilha do arquipélago de Chagos, no oceano Índico, apenas para operações "defensivas" destinadas a atingir posições de mísseis direcionados a interesses britânicos na região.

Fechamento do Estreito de Ormuz

Após a agressão de Estados Unidos e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, que conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã, proibindo a passagem de embarcações e afirmando que não sairá da região "nem uma única gota de petróleo" por via marítima, o que elevou os preços dos combustíveis.

A Guarda Revolucionária Islâmica reiterou que navios dos Estados Unidos e de seus aliados não podem atravessar o estreito. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou, na segunda-feira (16), que a via segue aberta, mas fechada para embarcações de países considerados inimigos.

Nesse contexto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs a criação de uma coalizão naval para escoltar navios pela região. No entanto, vários países — entre eles China, Austrália, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Espanha — descartaram o envio de embarcações militares ao local.

Qual é a verdadeira 'arma' do Irã?

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

  • Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 civis. Milhares de instalações de infraestrutura civil, como casas, hospitais e escolas, foram destruídas ou seriamente danificadas.

  • Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.