O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou uma mensagem, nesta sexta-feira (20) aos países islâmicos do Oriente Médio em relação aos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o território iraniano, iniciados no fim de fevereiro. Ele destacou que a região "não precisa de atores externos".
O líder do país persa disse, em declaração pública em razão do Eid Al-Fitr (comemoração do fim do Ramadã), que a solução para conflitos no Golfo devem ser regionais, conforme reportou a Xinhua.
"Não precisamos da presença de estrangeiros na região. Podemos estabelecer uma assembleia islâmica no Oriente Médio, com a cooperação dos Estados muçulmanos, e, dentro desse marco, regular nossas relações de segurança, econômicas, culturais e políticas", disse.
Pezeshkian afirmou que as dificuldades locais "são resultado da interferência de inimigos". "Não pretendemos ter qualquer divergência com países muçulmanos. Não buscamos conflito nem guerra com Estados islâmicos. Eles são nossos irmãos."
Pezeshkian ainda reforçou que o Irã não buscava desenvolver armas nucleares. Inclusive, que o ex-líder supremo do país assassinado em um ataque conjunto de Israel e EUA, Ali Khamenei, havia emitido um decreto religioso proibindo armas atômicas.
As falas ocorrem em um momento de tensão no Oriente Médio, com ataques norte-americanos e israelenses contra Teerã e retaliação persa contra Tel Aviv e também bases norte-americanas em países do Golfo.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 civis. Milhares de instalações de infraestrutura civil, como casas, hospitais e escolas, foram destruídas ou seriamente danificadas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.