O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que o fim do conflito no Oriente Médio depende da vontade política e das decisões dos EUA, e indicou que Donald Trump deve persuadir Benjamin Netanyahu a pôr fim aos ataques, segundo informou o portal americano Politico, na quinta-feira (19).
"A guerra deve acabar (…) e acredito que está nas mãos dos Estados Unidos conseguir isso. É possível (pôr fim à guerra), mas depende da vontade política para fazê-lo", afirmou Guterres no podcast EU Confidential.
O secretário-geral da ONU afirmou estar "convencido de que Israel, como estratégia, busca a destruição total da capacidade militar do Irã e uma mudança de regime", enquanto o Irã tenta "resistir o máximo de tempo possível e causar o maior dano possível".
"A chave para resolver o problema é que os Estados Unidos decidam reconhecer que cumpriram sua missão", afirmou o chefe do organismo internacional, acrescentando que "Trump poderá convencer (…) aqueles que precisam ser convencidos de que o trabalho está feito", disse Guterres.
Além disso, ele afirmou que mantém contato com todas as partes do conflito e ressaltou que "é vital para o mundo inteiro que esta guerra termine logo". "Isso está ficando fora de controle, e os recentes ataques representam uma escalada extremamente perigosa", sustentou, comentando os bombardeios à infraestrutura energética no Oriente Médio.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu o direito de desenvolver um programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.