
Companhias aéreas internacionais se preparam para escassez de combustível — Financial Times

As principais companhias aéreas globais estão desenvolvendo planos de contingência para uma possível escassez de combustíveis, causada pela queda no fornecimento de petróleo devido à guerra lançada por EUA e Israel contra o Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, revelou o jornal Financial Times nesta sexta-feira (20).
O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Willie Walsh, descreveu a situação como "o problema de abastecimento de combustível de aviação mais sério que já vimos".
"Não há vencedores aqui. Isso afetará a todos. O combustível de aviação produzido no Oriente Médio vai para a América do Norte, vai para a Ásia", explicou, destacando a natureza global da crise.

Segundo o veículo, executivos do setor já estão tendo dificuldades para obter garantias de abastecimento nos aeroportos a partir de maio, o que pode forçar cortes significativos no número de voos.
Entre as medidas que poderão ser tomadas está a redução de voos para regiões altamente dependentes do petróleo do Oriente Médio. Smith citou especificamente o Sudeste Asiático como uma área de preocupação.
"Podemos obter combustível da Europa, mas quando vamos a uma cidade do Sudeste Asiático, não conseguiremos fazer o avião voltar... Se não houver combustível, não há como voar", explicou Ben Smith, diretor executivo da Air France-KLM, ressaltando que o Sudeste Asiático "depende muito mais do combustível que chega pelo Golfo" do que a Europa.
«ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO»
O jornal também cita operadores do mercado financeiro, que acreditam que a escassez de combustível em algumas regiões será inevitável em algum momento.
Gestores de aeroportos disseram que podem ser forçados a racionar pistas e reduzir operações.
Fechamento do estreito de Ormuz
Após o início da agressão dos Estados Unidos e de Israel no fim de fevereiro, o Irã bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã, proibindo a passagem embarcações e afirmando que não sairá da região "nem uma única gota de petróleo" por via marítima, o que elevou os preços dos combustíveis.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.

