O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou nesta quinta-feira (19) que os EUA podem suspender em breve as sanções ao petróleo iraniano retido em navios-tanque para ajudar a aumentar a oferta mundial e reduzir os preços.
"Nos próximos dias, poderemos suspender as sanções ao petróleo iraniano que se encontra em trânsito. São cerca de 140 milhões de barris", afirmou Bessent no programa 'Mornings with Maria', da Fox Business Network, conforme relatado pela Reuters.
O alto funcionário destacou que esse volume ajudaria a manter os preços do petróleo baixos durante um intervalo de 10 a 14 dias.
Desde o início da agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, os preços do petróleo sofreram grandes altas, superando os US$ 100 (R$ 525) por barril, principalmente devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do petróleo bruto consumido no mundo.
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Se a medida anunciada por Bessent for adotada, os EUA seguiriam o caminho traçado recentemente, quando permitiram a venda de petróleo russo sancionado que estava retido em navios-tanque — cerca de 130 milhões de barris.
O secretário do Tesouro acrescentou que seu país tomaria outras medidas para aumentar a oferta mundial, como a liberação unilateral de reservas da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA.
"Para deixar claro, não estamos intervindo nos mercados financeiros. Estamos abastecendo os mercados físicos", sustentou Bessent.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.