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Trump diz que alertou Netanyahu contra ataques à infraestrutura de energia no Irã

Declaração expõe divergência pontual entre Washington e Tel Aviv em meio à escalada no conflito.
Trump diz que alertou Netanyahu contra ataques à infraestrutura de energia no IrãGettyimages.ru

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (19) que pediu ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que não voltasse a atacar instalações de petróleo e gás no Irã.

"Eu disse a ele: 'Não faça isso'. E ele [Netanyahu] respondeu: 'Vamos fazer'. Não discutimos o assunto. Somos independentes", declarou.

Durante reunião na Casa Branca, Trump disse que, apesar da coordenação próxima entre os dois governos e da boa relação entre eles, Netanyahu por vezes toma decisões com as quais ele não concorda. O presidente acrescentou que esse tipo de ataque "não será mais" levado em consideração.

Ataque a South Pars

South Pars, segmento iraniano do maior campo de gás natural do mundo, compartilhado com o Catar no Golfo Pérsico, foi alvo de ataque nesta quarta-feira (18).

Após os bombardeios, várias seções do complexo foram fechadas. As áreas afetadas foram retiradas de operação para conter um incêndio e evitar a propagação das chamas. Posteriormente, autoridades informaram que a situação estava sob controle, enquanto equipes de bombeiros atuavam para extinguir o fogo.

Mais tarde, autoridades do Catar denunciaram um "ataque brutal do Irã" contra a cidade industrial de Ras Laffan, um dos principais polos de gás natural liquefeito do país. A estatal de petróleo e gás informou que houve incêndios com "danos consideráveis" às instalações, mas que "toda a equipe está a salvo e, até o momento, não foram registradas vítimas".

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".

  • Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.

  • Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.

  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.

  • Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.

  • Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.

  • O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.

  • As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.

  • Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.