O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (19) que não descarta a possibilidade de a ilha iraniana de Kharg, peça-chave para a indústria petrolífera do país, se tornar um ativo americano.
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Segundo ele, o presidente Donald Trump está "focado" na ilha desde 1998 e, atualmente, recorre à força militar para alcançá-la em meio à agressão contra o Irã. "Como eu disse, houve uma campanha de bombardeios na semana passada. Os alvos militares na ilha de Kharg foram destruídos", afirmou.
"E outra coisa que posso dizer é que, se você trabalha no setor de petróleo, não vai querer trabalhar lá. Portanto, todos os trabalhadores do setor estão sendo coagidos a permanecer no local, e veremos o que acontece quando isso eventualmente se tornar um ativo dos Estados Unidos", concluiu.
Qual é a importância da ilha de Kharg
A ilha de Kharg abriga infraestrutura essencial para a exportação de petróleo iraniano. Estima-se que cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país sejam escoadas a partir do local.
Situada a aproximadamente 30 quilômetros da costa iraniana, no norte do Golfo Pérsico, a ilha funciona como terminal de exportação desde a década de 1960. Antes e nos primeiros dias da atual ofensiva, o local operava cerca de 1,5 milhão de barris por dia, volume superior à produção total de vários países da OPEP.
Guerra contra o Irã
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".
Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.
Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.
Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.
As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.
Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.