
Pentágono pede mais de US$ 200 bilhões para guerra contra o Irã – WP

O Pentágono solicitou à Casa Branca o envio ao Congresso de um pedido superior a US$ 200 bilhões para financiar a guerra contra o Irã, informou o The Washington Post nesta quinta-feira (19), citando um alto oficial do governo familiarizado com o assunto.
Os recursos seriam destinados à produção de armamentos utilizados por forças dos Estados Unidos e de Israel em ataques realizados nas últimas três semanas. A expectativa, no entanto, é de resistência no Congresso, especialmente entre parlamentares contrários ao conflito.
Pedido enfrenta resistência

Integrantes da Casa Branca avaliam que a proposta dificilmente será aprovada. Nas últimas semanas, o Pentágono apresentou diferentes estimativas de financiamento, e ainda não há definição sobre o valor que será formalmente encaminhado aos legisladores.
A iniciativa, liderada pelo subsecretário de Defesa, Steven Feinberg, tende a intensificar o embate político em Washington em meio ao baixo apoio popular e críticas de parlamentares democratas.
"Fizemos algumas estimativas dos custos da guerra com base nos dados limitados disponíveis, mas há uma enorme incerteza, e o Congresso quer saber qual será o custo final", afirmou Mark Cancian, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). "Se a administração pedir mais dinheiro, haverá uma grande luta política porque todo o sentimento antiguerra se concentrará nesse pedido", acrescentou.
Custos exorbitantes
O Pentágono afirmou anteriormente que os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 11,3 bilhões em apenas uma semana de ofensiva contra o Irã. Já o assessor econômico de Donald Trump, Kevin Hassett, estimou o valor em US$ 12 bilhões.
Estimativas mais amplas, no entanto, indicam custos significativamente maiores. Segundo fontes ouvidas pelo The Intercept, incluindo especialistas em orçamento militar e autoridades familiarizadas com a operação "Fúria Épica", o conflito pode estar custando entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões por dia, o que equivale a até US$ 23 mil por segundo.
Nesse ritmo, o custo total da operação pode atingir ou superar US$ 250 bilhões nos próximos meses.
Guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões foram registradas em diversas áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação do país na operação e afirmou: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorreram após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
Durante a ofensiva, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases americanas na região.
Até o momento, o número de mortos no Irã em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassa 1.400 pessoas.
Rússia e China criticaram a ofensiva militar. Os ministros Sergey Lavrov e Wang Yi classificaram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo filho do falecido aiatolá, foi anunciado em 8 de março. Ele se dirigiu pela primeira vez à nação com a promessa de vingança por cada morte causada em decorrência da agressão contra o povo iraniano.
As Forças Armadas dos EUA informaram que "mais de 5 mil alvos" foram atingidos nos primeiros 10 dias de operação. O Irã relatou mais de 40 ondas de ataques em resposta.
Enquanto Trump afirma que está "vencendo" o conflito, especialistas apontam custos insustentáveis para a continuidade das ações militares, em comparação às capacidades ofensivas do Irã, o que levanta preocupações sobre a substituição de sistemas militares de alto custo dos EUA.

